Se até gato e cachorro se entendem, porque nós não?

Eduardo Marques

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt XXII,39). Com estas palavras nosso Senhor deixava o decreto de vida para todos aqueles que desejassem segui-lo. Mas segui-lo, entretanto, não seria algo fácil de fazer, pois implicaria na negação de si mesmo e num ‘abraçar a cruz de cada dia’. (Cf. Lc IX,23).

Ter uma boa convivência com as pessoas não é algo fácil. Aliás, dificilmente encontramos pessoas cujo temperamento seja igual ao nosso. Cada pessoa tem seu ponto de vista, e isso termina sendo o grande diferencial nas relações na medida em que somos capazes, ou não, de respeitar as opiniões diferentes das nossas.

Assim, o decreto de nosso Senhor assume um caráter dicotômico bem definido: De um lado estão aqueles que, com esforço, buscam compreender e respeitar o seu próximo, mesmo, muitas vezes, levando tantos reveses; e, de outro, estão aqueles que vociferam raivosos; fazendo de sua opinião verdade única.

As opiniões humanas moldam-lhes o comportamento, as atitudes e, consequentemente, as relações. Todo ser humano, em gozo de pleno juízo, tem a capacidade de unir, reunir ou de separar, afastar. Um tratamento alegre e cordial certamente traz satisfação a outrem. Uma palavra de carinho, de incentivo traz alegria ao coração de quem a ouve. Em contraposição, a crítica demasiada, por simples opinião, e os ataques gratuitos trazem desconforto e tristeza. Porém, pior que isso, é saber que isso inviabiliza o surgimento e a manutenção de um bom convívio, quiçá de uma grande amizade; e, acima de tudo, nega o princípio ensinado por nosso Senhor – O que é mais grave! Desse modo, como pode alguém se dizer cristão se não busca seguir o que Cristo ensinou? E se for católico pior ainda, pois a Igreja, por seus tantos mártires, dá testemunho de amor ao próximo. E no amor ao próximo está incluso o respeito.

Tenho plena certeza de que na minha vida preciso do meu próximo; quer discorde ou concorde comigo n’alguns pontos. Assim, não tenho qualquer tipo de dificuldade em pedir ajuda quando preciso; em pedir perdão se agrido; em elogiar quem faz o bem e o bom; em dizer muito obrigado por ajuda recebida; em ajudar na medida de minhas forças. E, acima de tudo, em dizer: Deus te abençoe por todo bem ou mal que me tenha causado.

por Eduardo Marques.

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6 pensamentos sobre “Se até gato e cachorro se entendem, porque nós não?

  1. Vc falou “…na medida em que somos capazes, ou não, de respeitar opiniões diferentes das nossas”. Enquanto lia esta publicação, estava tendo uma discussão com uma prima minha sobre intolerância e ódio de algumas religiões em relação aos gays. Em um dado momento, ela postou este post: “não tenho preconceito com religião. afinal pre-conceito é um conceito pre-formado… ou seja, formado antes de se conhecer alguma coisa. Posso falar que conheço o cristianismo e o que tenho é um conceito formado sobre ele: de que é um grande atraso para o mundo e uma grande limitação para o avanço das ciências. Esse é o conceito que tenho, formado a partir da minha experiência pessoal com essa instituição religiosa.Mas é um conceito meu, é individual. cada um tem sua própria vivência e acredita no que quiser. Conheço muitas pessoas que só conseguem viver se for dentro de uma religião.. precisam disso para viver, precisam ser confortadas, sei lá.. cada um crê no que quiser… ou não crê. As religiões sempre foram um instrumento regulador social, para muita gente… não é o meu caso. as minhas concepções morais e éticas partem da minha própria formação e visão de mundo… e em parte, também, da própria biologia humana.. nós temos esses conceitos de moralidade dentro de nós.. seguindo religião ou não.. todos nós temos.”
    Posso respeitar uma opinião desta? Acabo sempre discordando…

    • Oi Lívia. Obrigado por seu comntário!

      O que sua prima diz, com todo respeito (a você), é um desgraça! Sua prima está mergulhada na lama mais podre da ignorância e arrogância. Pois veja o que diz:

      “Posso falar que conheço o cristianismo e o que tenho é um conceito formado sobre ele: de que é um grande atraso para o mundo e uma grande limitação para o avanço das ciências.”

      Não sabe ela, pobre coitada, que a Igreja Católica é que formou todo mundo ocidental;que foi a Igreja Católica que criou as universidades; que muitos padres nas idades média e moderna eram também cientistas e que descobriram tantas coisas; que, hoje em dia, vários cientistas com Prêmio Nobel desenvolvem pesquisas para o Vaticano; que um dos principais centros de observação astronômica que existe é da Igreja e tantas coisas…

      Adiante ela diz:
      “as minhas concepções morais e éticas partem da minha própria formação e visão de mundo…”

      E qual será a formação e visão do mundo dessa criatura?

      A partir da Biologia? Ora, a Biologia ainda crêr na “Teoria do Big Bang”. Teoria! algo nunca provado. E crê também no evolucionismo da Darwin que tem base na gnose.

      você faz bem em discordar. Mas por dever de caridade – como cabe a um bom cristão – deve ensinar à sua tonta-prima, que tenta demonstrar ser tão cheia de ciência e ao mesmo tempo é tão carente de sabedoria, a verdade única e imutável da verdade revelada por Cristo e pregada em todos os tempos por sua única Igreja: Católica.

      Ad majorem Dei gloriam
      Eduardo

      • Opa, me desculpe em colocar uma pequena evidência que está sendo dita de forma errônea: Teoria, do ponto de vista científico, não é especulação. É um conjunto de fatos exaustivamente comprovados, com os resultados divulgados em importantes publicações científicas. Esse conceito constantemente é mostrado de forma errada. Este equívoco infelizmente é propagado como forma de diminuir a ciência frente seus argumentos. A Teoria científica é diferente da teoria em senso comum: ela é fartamente comprovada. Senão, não teríamos mas teorias matemáticas comprovadas como a teoria dos conjuntos, a teoria das singularidade, a própria teoria da gravitação universal, e por aí vai. Quanto ao Big Bang, não é um fato que deixou muitas evidências espalhadas pelo universo. Sua causa sim, ainda é um mistério mas nem por isso invalida uma explicação científica. Aliás, se não fosse pela exploração científica, ainda acharíamos que raios e trovões são sinal da ira divida e todos os fenômenos naturais hoje, CIENTIFICAMENTE EXPLICADOS, teriam uma origem divida não é mesmo? A ciência não é uma religião nem se opõe a ela. A ciência existe em cada pessoa que busca uma causa para algum efeito. E essa causa precisa satisfazer uma cadeia lógica racional pois nós temos inteligência para compreender o mundo. E isso não é errado. Conhecer nos permite transformar o mundo. Graças à biologia, que na verdade não tem nada a ver com o Big Bang (essa parte se deve à física, outro ramo da ciência), é que podemos curar doenças e tentar melhorar a condição humana. Não posso discutir crenças, pois acho que cada pessoa é livre para crer no que deseja, é claro, mas creio que dizer que alguém está na lama da ignorância e arrogância por expor suas idéias não me parece um conceito muito louvável. Realmente, se buscar um pouquinho só na História, a religião foi um grande freio do progresso científico. Condenando, excomungando, e muitas vezes banindo da história àqueles que buscaram encontrar uma explicação que pudesse explicar algo. Giordano Bruno, Copérnico, Galileu e tantos outros que forma calados pela inquisição ou pelas atrocidades religiosas. Mas crenças são coisas pessoais. Devem ser respeitadas. Mas fatos, podem ser mostrados. Acho que apenas cabe a cada um buscar seu caminho para encontrar as respostas. Particularmente não creio em divindade. Em séculos de ciência, cada vez mais as evidências vão derrubando os mitos e milagres. A chuva já não é mais um agrado dos deuses felizes, as ondas do mar, não são caprichos de uma divindade, a terra não é mais chata e envolta numa abóboda de cristal, nem o mundo foi criado em 6 dias. Isso é falácia. Se, realmente crer em algo sem passar pelo crivo da razão fosse bom, não teríamos inteligência para avaliar os riscos. Deve haver uma razão para isso não acha?

        Meus mais sinceros respeitos
        Ronald

      • Caro Ronald, seja bem-vindo e obrigado por seu comentário! Sobretudo pela maneira com que me tenta esclarecer sobre alguns pontos. Percebo em suas palavras um desejo maior de fazer prevalecer a razão e a verdade do que de criar polêmicas desnecessárias. E por isso sou duplamente grato: por compreender o espírito do trabalho que realizo aqui; que, nem de longe, é o de criar problemas com quem quer que seja por suas convicções. Note que o meu comentário foi baseado naquilo que algúem me disse sobre outrem. Um comentário feito por uma pessoa a quem conheço há muito, muito tempo. E assim sendo, compreendi bem o que ela quis dizer. E ela, tenho certeza, também me compreendeu. O que não foi o seu caso! Mas tudo bem!! A lama da ignorância a que me referi foi sobre a afirmação da pessoa de que conhece o cristianismo e, adiante, diz ter tido experiência com essa instituição religiosa. Ora, o Cristianismo é uma coisa a instituição religiosa é outra. Essa simples distinção a pessoa não consegue perceber. E isso, ao meu ver, é estar na lama da ignorância.

        Entretanto, dado o tamanho de sua missiva, me vejo obrigado a fazer algumas considerações:

        1º Você não observou o texto escrito acima da caixa de comentário; onde peço que comentários sejam feitos em relação à publicação do post.

        – O seu comentário é em relação a outro.Esse tipo realmente não aceitarei, pois o terceiro a comentar (feito você) não conhece os antecedentes e pode assim, criar um juízo equivocado de valores; feito você criou. Por isso é que só publico comentários em relação às postagens e não a comentários feitos por outros e, menos ainda, por minhas respostas a elas. Agora você fica sabendo ok?

        2º Você atribui a mim algo que eu não disse: Eu não afirmei que a teoria científica era especulação. Isso está por sua interpretação. E você me define a teoria científica como algo exaustivamente comprovado:

        “É um conjunto de fatos exaustivamente comprovados, com os resultados divulgados em importantes publicações científicas.”

        Em seguida você cita como exemplo a Teoria dos Conjuntos da Matemática. Aqui, você sim, comete grave erro. A teoria dos conjuntos em matemática foi desenvolvida a partir da observação de alguns paradoxos e, a partir desses, estabeleceu-se uma série de axiomas (que são afirmações tidas como verdadeiras sem a necessidade de comprovação) que serviram de base pra que se construísse a Teoria. Veja que a Teoria dos conjuntos foi criada a partir de proposições tidas como verdadeiras sem a necessidade de comprovação. A isso se chama Axioma ou Postulado. E só por aí cai por terra sua afirmação de; “exaustivamente comprovados”. O mesmo se dá com a Geometria Plana – que parte de alguns axiomas e prova uma série de resultados. Mas, se você partir pra outros tipos de geometria encontrará resultados surpreendentes como por exemplo de que: “As retas paralelas se encontram no infinito” – algo incompreensíveldo ponto da geometria plana.

        3º Eu não afirmei que todo trabalho científico desenvolvido a partir da teoria do big bang é inválido. Mas veja que aqui você cai em contradição; pois se afirma que uma teoria científica é algo exaustivamente comprovado, como diz agora que o big bang não deixou muitas evidências espalhadas? Ah, então não foi “exaustivamente comprovado” e, portanto, não é uma teoria científica. Percebe amigo sua contradição?

        -É claro que isso é absurdo!!

        Toda produção científica a cerca do big bang se não serviu para provar-lhe, serviu para o enriquecimento da ciência com novas descobertas.Isso é patente!

        4º Você me faz correção entendendo que afirmei que a teoria do big bang é originária da Biologia. E você me corrige dizendo ser da física – o que está certo!. Porém, eu não afirmei que foi a Biologia quem produziu a teoria do big bang, mas sim que ela crê nisso. Assim como a geografia, a história, a química, etc.

        5º Sobre a religião ter sido um freio para o avanço da ciência, isso é outro absurdo propagado erroneamente por aí. Foi a Igreja quem criou as primeiras Universidades – que existem até hoje! As Universidades Católicas estão espalhadas em boa parte do mundo com produção científica riquíssima. Em Roma, A Pontifícia Academia de Ciências congrega vários cientistas vencedores do Prêmio Nobel. Sugiro que você leia a postagem que fiz com o título “Padres inventores”.

        Mais uma vez obrigado por seu comentário. Fique à vontade pra vir aqui e deixar suas considerações em relação ao que estiver postado.

        In Corde Iesu
        Eduardo

      • Caro Eduardo, obrigado por suas colocações e esclarecimentos. Como bem observou, criar polêmicas não produz conhecimento, só o anula. Cometi um pequeno erro de digitação ao dizer que a Teoria do Big Bang não deixou muitas evidências.. eu quis dizer que DEIXOU MUITAS evidências. rsrsr o que deixou uma idéia de contradição. Perdoe-me, foi um erro crasso. Quando digo que a religião foi um freio, analiso do ponto de vista de que, muitas observações corretas foram impedidas de serem divulgadas em função do receio de se oporem aos conceitos vigentes que as trataria como hereges. É claro que, mesmo na idade das trevas, houve pequenos progressos científicos, até aqueles absurdamente empenhados em descobrir o elixir da vida eterna ou a pedra filosofal, mesmo que de forma completamente empírica, conseguiram alguns progressos no campo da química e da física. Muito interessante suas colocações sobre os axiomas e a geometria. Realmente, no campo de 3 dimensões, não poderíamos conceber o encontro das retas paralelas que, podem ocorrer em outras dimensões inimagináveis. Aliás, a matemática em si é fascinante por nos permitir ir além dos conceitos que a mente humana é capaz de conceber. O que nos dá uma dimensão de que a realidade vai além das nossas percepções, mas nem por isso, não é passível de ser entendida. Em relação aos padres cientistas, creio que foi um monge agostiniano que deu um grande passo no conceito da genética não foi? O pensamento científico nada tem a ver com a religião mas com a forma com que as evidências são tratadas, as hipóteses formuladas e as teorias criadas não é mesmo? Peço-lhe novamente que perdoe a colocação do post fora da área do comentário.. nem sei se este está no lugar correto. Ainda me confundo um pouco por aqui.
        Abs

        Ronald

      • Caro Ronald, obrigado por seu comentário!

        Compreendo seu equívoco que mudou completamente o sentido do que quis dizer. Erros acontecem!

        Mas considerando algumas novas colocações suas, teço alguns comentários.

        1º Muitos resultados, hoje comprovados, não foram aceitos no passado pelo simples fato de não haver conclusões plausíveis pra eles. Muitas coisas ficavam no campo das suposições ou mesmo distorções de outros resultados. Vejamos: Copérnico – que era Padre – tentou provar o heliocentrismo por meios esotéricos. Galileu tentou fazê-lo alegando o movimento das marés, utilizando argumentos teológicos e não científicos. Galileu chegou a supor erros na Bíblia. Note que mesmo hoje em dia qualquer resultado científico pra ser aceito, precisa passar pelo crivo da comunidade científica.

        2º A Idade Média é chamada caluniosamente de Idade das Trevas ou Noite dos Mil Anos. Essa mentira foi difundida na Idade Moderna com o Iluminismo – termo criado pra ser antítese de Trevas. Na Idade Moderna o cientificismo com base no raciocínio lógico-dedutivo e empírico ganhou força desprezando a metafísica tomista-aristotélica da Idade Média. É triste ver até hoje que livros e professores de história acusam a idade média de ser um período de não-produção científica e, por isso, idade das trevas. Isso é uma grande inverdade visto que na Idade Média surgiram as grandes universidades. Porém, é preciso considerar que os recursos eram menores em relação à idade moderna; assim como os da idade moderna eram bem poucos em relação a hoje. Sobre a pedra filosofal e o elixir da vida é puro esoterismo.

        3º Com relação à Matemática você comete um pequeno engano. É no plano – que tem duas dimensões e não três – que as retas paralelas não se encontram seguindo a axiomática euclidiana. Com o surgimento de novas geometrias, como a Geometria Hiperbólica, esse resultado não é válido.

        4º Gregor Mendel foi o monge agostiniano cujas pesquisas deram grande impulso ao desenvolvimento da genética

        -Ciência e religião não se opõem. São concepções distintas da vida humana. E muito mais do que buscar confrontá-las penso que devemos nos apropriar dos benefícios que ambas nos trazem.

        Um cordial abraço,
        Eduardo

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