Como a Filosofia pode ajudar cristãos e ateus entenderem uns aos outros

Um dos equívocos mais comuns, até mesmo nas conversas mais agradáveis e empáticas entre cristãos e ateus, ocorre por causa da diferença entre ontologia epistemologia. Mas com um pouco de reflexão filosófica, podemos esclarecer esta confusão e ajudar a ateus e cristãos entender um ao outro.

Realmente.

Essas são palavras bem complexas, então vamos dividi-las em definições simples (muito simples):

Ontologia: uma discussão do que realmente existe. Exemplo: “O mundo é real.”

Epistemologia: uma discussão sobre o que devemos acreditar ser verdade. Exemplo: “Eu sei que o mundo existe porque os meus sentidos são confiáveis.”

Agora, como é que estas distintas categorias filosóficas causam essa confusão, sentimentos feridos, e conversas improdutivas?

Aqui está uma maneira como acontece em conversa:

Cristão: Minha opinião é que, se Deus não existisse, não haveria qualquer moral.

Ateu: Você está dizendo que eu não sou uma pessoa de moral, porque me falta a crença em Deus?

Cristão: Bem, não. Não exatamente. Eu acho que você é uma pessoa muito legal.

Ateu: E algumas pessoas que acreditam em Deus fazem coisas ruins por causa de suas crenças religiosas, certo?

Cristão: Claro, isso acontece. Mas eu não acho que a religião deva ser usada para ferir as pessoas.

Ateu: Estou feliz que concordamos sobre isso. Então,  acreditar em Deus faz alguém ser uma pessoa melhor?

Cristão: Bem, eu sei que quando me tornei cristão, eu me tornei uma pessoa melhor.

Ateu: E quando eu parei de ir à igreja, eu me tornei uma pessoa melhor.

Essa conversa é um pouco comum, como duas pessoas honestamente tentam botar para fora sua diferença de opinião a respeito de Deus.

Mas porque eles não estão claramente cientes da distinção entre ontologiaepistemologia, ficou de fora alguns insights valiosos.

Parte do problema que tive é que, para muitas pessoas, a “moralidade” agora significa apenas ‘a minha opinião pessoal sobre o certo e o errado. “

Para chegar mais perto de entender como isso é importante, vamos olhar para esta conversa sobre outro assunto: o argumento cosmológico, que tem a ver com a existência da realidade física (em vez da realidade moral).

Cristão: … Portanto, para concluir, se Deus não existisse, o mundo não existiria.

Ateu: Você está dizendo que eu não existo porque me falta a crença em Deus?

:: Espere um segundo :: ninguém jamais diria isso! Vamos tentar de novo:

Ateu: Entendo. Onde eu discordo de você é a sua segunda premissa, “o universo começou a existir.” Eu acho que um bom argumento pode ser feito para o universo sempre ter existido.

Cristão: Interessante. Estou curioso para ouvir como isso se relaciona com a Segunda Lei da Termodinâmica …

O argumento é “como Deus existe, o universo também ter que existir“. Assim que você está discutindo a ontologia. Essa conversa é conceitual e categoricamente diferente de discutir epistemologia: como nós sabemos ou acreditamos que “o mundo existe”.

Aqui está outra maneira de pensar sobre isso: “ontologia” é a discussão do mundo fora de sua mente. “Epistemologia” é discutir as crenças dentro de sua mente, como você as obteve e como elas se encaixam.

Em outras palavras, a questão principal, tanto para o argumento moral e do argumento cosmológico, não é o que devemos acreditar ou as implicações de nossas crenças (epistemologia). A questão é o que é real, o que existe (ontologia).

Com esta distinção em mente, vamos revisitar o argumento moral:

Cristão: … Em conclusão, a minha crença é que, se Deus não existisse, não haveria qualquer moral.

Ateu: Você está dizendo que eu não sou uma pessoa de moral, porque me falta a crença em Deus?

Cristão: Oh, definitivamente não. Eu acho que você é uma pessoa muito legal! Eu não estava discutindo epistemologia – as implicações de nossa crença ou falta de crença em Deus. Em vez disso, eu estava discutindo ontologia – a existência ou não existência de Deus. Se Deus – um ser moralmente perfeito – existe, então Deus poderia emitir uma lei perfeita moral, e nós, como suas criaturas, seríamos moralmente obrigados a obedecer seu código moral. Então, se Deus existe, este código moral existe.

Em contrapartida, se nenhum ser moralmente perfeito existe, então não haveria nenhuma lei moral perfeita e não teríamos deveres morais objetivos para obedecermos. Então, se Deus não existe, este código moral objetivo não existe.

Claro que podemos totalmente redefinir a palavra “moralidade” para dizer “as ações sociobiológicas que nosso condicionamento nos leva a preferir”, mas no meu sentido original, não haveria moralidade deste tipo. Sem Deus, não há lei moral objetiva.

Ateu: Mas eu acho que a moralidade só é nosso condicionamento pessoal e cultural.

Teísta: Certo. E é assim que eu definiria a “moralidade” se eu fosse ateu. Então, vamos falar sobre a relação entre a “moralidade de rebanho” e a “moralidade objetiva”.Eu estava discutindo…

Agora que a diferença entre ontologia e epistemologia foi resolvida, a conversa fica correta. O argumento moral já não soa como um ataque pessoal sobre a (suposta) imoralidade do ateu. Pelo contrário, é um desacordo fundamentado sobre o que o ‘código moral’ realmente é: um código objetivo nos concedido como um presente de um Deus perfeitamente bom – ou – uma constante mudança de adaptação sociobiológica que ajuda ou atrapalha a sobrevivência dos seres humanos.

Fonte: Logos Apologética cristã

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

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