O Brasil pós Lula

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Nivaldo Cordeiro

A sentença prolatada pelo juiz Sérgio Moro do Lula, condenando Lula a 9 anos e seis meses de prisão, praticamente decretou a sua morte política. O período que se abre agora até a confirmação da sentença em segunda instância será apenas um prolongado velório e, como todo velório, terminará no sepultamento político do ex-presidente. A pergunta que se coloca é o que será do PT sem Lula candidato e como ficará a política partidária do Brasil sem a figura do ex-presidente.

Não há dúvida de que a mais singular criatura a aparecer no cenário político nacional no último quartel do século passado foi o PT, capitaneado pelo carrancudo Lula. A esquerda mais revolucionária alinhou-se com ele e acabou chegando à Presidência da República em 2002, tendo ficando por 14 anos no poder, oito anos sob a presidência de Lula e os demais sob Dilma Rousseff, cujo mandato foi interrompido pelo impeachment. O PT singularizou-se pelo discurso “ético”, mas, como demonstrou Olavo de Carvalho, essa ética revolucionária é o oposto da ética do senso comum cristão, é a própria cartilha de intenção de crimes revolucionários. Ademais, a intenção de “mudar tudo que está aí” nunca foi escondida, algo que só poderia ser feito mediante ou golpe de Estado ou passando por cima do ordenamento jurídico. Foi o que foi feito com o mensalão e com o petrolão e toda a prática criminosa resultante da tentativa de perpetuação no poder.

O problema é que o PT jamais teve maioria parlamentar e foi obrigado a se aliar ao PMDB que, nesses anos todos, serviu de freio aos anseios revolucionários do PT. As falcatruas derivaram da tentativa de alugar uma base aliada obediente, disposta a aprovar tudo. Houve erro de cálculo, pois a tal base nunca votou incondicional. As três grandes derrotas parlamentares sofridas foram justamente de autoria desse partido: a recusa da CPMF, a negação do terceiro mandato a Lula e o impeachment de Dilma Rousseff. A única força de oposição eficaz que o PT teve foi o PMDB.

A contradição óbvia vivida pelo PT é ter uma plataforma revolucionária sendo implantada dentro da ordem democrática, numa sociedade aberta com imprensa livre. O PT colocou foco na nomeação dos juízes das cortes superiores, que passaram a interpretar a Constituição contra a letra do que nela estava escrito. Mesmo assim, vieram as condenações do mensalão no STF, pois no campo penal não há muito o que interpretar diante das provas. Seus líderes foram condenados, exceto Lula, protegido que foi pela Procuradoria Geral, fato que lhe permitiu escapar do impeachment.

Ao PT agora resta ou assumir de vez sua face revolucionária e, ato contínuo, eleger a violência como instrumento de chegada ao poder, ou se enquadrar na legalidade e se tornar um partido nanico, sem bandeiras e sem recursos. O ajuntamento de revolucionários que se tornou a sigla poderia então se dissolver, pois já não teria serventia para os propósitos revolucionários.

Em face da idade, Lula deve encerrar sua carreira política lutando pela liberdade pessoal nas barras dos tribunais. Deixou de ser líder político relevante, na verdade já está fora da política eleitoral, fonte que foi de seu poder durante toda vida. Sem votos, Lula não é nada e ele agora não pode mais pleitear cargos eletivos, a se confirmar a sentença de Sérgio Moro em segunda instância. O vácuo político deixado por Lula e pelo PT parece estar sendo preenchido pela emergência de forças de centro-direita. O partido mostrou-se frágil demais sem a figura demagógica do seu líder máximo, Lula.

A eleição de 2018 promete uma renovação radical dos nomes propostos pelas agremiações políticas. Não se sabe quem sairá vencedor, mas sabemos quem será o grande perdedor: o PT. Já foi assim em 2016. O partido vai desidratar de vez, dando lugar a novas forças que deverão emergir.

Quem viver verá.

http://midiasemmascara.org/artigos/brasil/o-brasil-pos-lula/

A pergunta certa

Percival Puggina

É tamanho o descrédito dos partidos políticos que eles desistiram de proclamar suas virtudes. Ao contrário, dedicam-se a demonstrar que os outros chafurdam em ainda maiores vícios. Nesse contexto, nesse indiscutível contexto, fica imensamente favorecida a vida de quem está no poder. Ali, as facilidades voam em jatinhos militares devidamente decorados para os prazeres da vida civil. Ali, roda a ciranda em torno do Erário, que abre portas na hora certa para alegria dos folgazões. Ali há dinheiro, empregos, poder, honrarias, favores. E tudo isso, no tempo devido, vira mercadoria ou moeda eleitoral.

“E a oposição?”, indagará o leitor atento à relevância política deste ano de 2014. Ora, a oposição é aquele pequeno reduto onde só ficam os que não se deixaram seduzir pelo que de mais atraente existe nas tentações do poder. No Brasil destes anos constrangedores, só é oposição quem faz muita questão de sê-lo. O poder tem do bom e do melhor para todos os seus. A oposição é trincheira de poucos e mal apetrechados combatentes.

Quem acompanha a política nacional com interesse cívico sabe, também, que o PT muito pouco pode apresentar como resultado positivo de suas três administrações que não provenha de políticas que antes condenou e, posteriormente, adotou. Mas, convenhamos: isso não serve para estabelecer diferenças. Bem ao contrário. A estratégia oposicionista precisa ser outra. Para vencer o desequilíbrio estabelecido entre as forças do governo e as da oposição é preciso identificar e apontar ao juízo soberano dos eleitores certos abismos que as separam. A contribuição que trago nestas linhas é uma lista de pautas, de condutas e de políticas pelas quais esse rio de águas turvas chamado Partido dos Trabalhadores ganha corpo com seus afluentes pela margem esquerda e pela margem direita. Elas me levam ao que chamo de a pergunta certa: qual o partido brasileiro que se identifica com as seguintes políticas, condutas e pautas?

Marco regulatório da imprensa; marco civil da internet; PLC 122 (da “homofobia”) e seus disparates; imposição do “politicamente correto” e da novilíngua; confabulações do Foro de São Paulo; apoio e refúgio a terroristas (Cesar Battisti é apenas um dos casos); captura e devolução a Fidel dos boxeadores cubanos; apoio aos governos comunistas de Cuba, Venezuela e Bolívia; incondicional afeição a qualquer patife adversário do Ocidente; homenagens e nomes de ruas para líderes comunistas; memorial para Luiz Carlos Prestes; apoio explícito a companheiros condenados pela justiça por graves crimes; verdadeira fobia por presídios e órgãos de segurança, resultando em gravíssima instabilidade social; absoluta e incondicional dedicação aos direitos humanos dos bandidos; empenho em inibir a ação armada das instituições policiais; dedicação à causa do desarmamento dos cidadãos; recusa à redução da maioridade penal; criação do MST e apoio às suas truculentas invasões de propriedades rurais; apoio a invasões no meio urbano e a políticas que restringem o direito de propriedade; cobertura às estripulias imobiliárias dos quilombolas; avanços do Código Florestal contra o direito de propriedade; expansão das reservas indígenas sobre áreas de lavoura; mudança, para pior, do Estatuto do Índio; supressão de símbolos religiosos em locais públicos; lei da palmada; apoio à legalização do aborto; políticas de gênero; kit gay nas escolas; apoio à parada gay, à marcha das vadias e à marcha pela maconha; leis de cotas raciais; uso de livros didáticos para doutrinação ideológica; fim da lei de anistia e manipulação da História; aparelhamento da administração pública e dos órgãos de Estado pelos partidos do governo; e mais recentemente, defesa dos rolezinhos e suas perturbações em locais de comércio.

Examine bem a lista acima e depois me diga se não é urgente espantar, pela força do voto, esse mau agouro político que lança sortilégios sobre nossa sociedade e sobre a democracia brasileira.

http://www.puggina.org/

Não à cubanização do Brasil!

Hélio Dias Viana

Como se já não bastasse a importação pelo Brasil dos péssimos “produtos 1,99” da China, com os seus irreparáveis danos à economia nacional ainda não suficientemente computados, chegou a vez de o governo petista, numa medida ressumando chavismo, anunciar sua intenção de “importar” 6.000 médicos cubanos.

Em se tratando de saúde e fazendo abstração da conotação comunista de muitos de tais médicos — cujos grandes contingentes que atuam hoje na Venezuela são vistos como membros do exército cubano ou agindo sob as ordens deste — constitui sumo desdém o fato de um governo que se pretende popular entregar a saúde do sofrido povo de regiões recônditas e das periferias das grandes cidades do Brasil a médicos totalmente despreparados.

O presidente Hugo Chávez no ato de boas-vindas aos novos médicos cubanos, parte dos milhares que chegaram à Venezuela para a Missão Bairro Adentro

Para dar dois exemplos recentes de “grandes líderes” tratados em Cuba, é só recordar que o Coma-andante Fidel Castro apelou para médicos espanhóis para continuar sua vida vegetativa, e consta que o mesmo sucedeu com Hugo Chávez, embora de modo tardio, pois de início ele parece ter acreditado na propaganda sobre a medicina da Revolução. Ou seja, a elite comunista não confia nos médicos formados pelo regime cubano e por isso se faz tratar por profissionais estrangeiros.

Ora, são precisamente esses médicos que se quer agora “importar”. De um lado, isso causaria aos incontáveis profissionais brasileiros, presentes e futuros, um dano análogo ao provocado pelos produtos chineses às nossas indústrias. De outro lado, e muito mais grave, entregaria a saúde de incontáveis brasileiros — a qual não é um “produto” qualquer — nas mãos de incompetentes “médicos 1,99” que, incapazes de curarem os corpos, são eficientíssimos em contaminar as mentes.

E, crescendo de ponto, por mais grave que seja o cuidado da saúde pessoal de inúmeros brasileiros entregue a tais médicos, todavia muito mais grave é a “saúde da Nação” em face do caráter ideológico da inusitada “importação”. Tanto mais quando sabemos que a Venezuela de hoje, por razões análogas, se tornou um virtual protetorado cubano, com milhares desses médicos espalhados por todo o seu território, monitorados in loco por cerca de meia dúzia de generais que ditam normas em pontos vitais daquela nação.

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Encontramo-nos assim diante de uma ofensiva multiforme e continental do eixo bolivariano e de seus coadjuvantes, preocupados talvez em apressar o passo diante da perda de Hugo Chávez — e, sobretudo, da crescente rejeição de seus postulados revolucionários pelas respectivas populações. Eles querem nos “presentear” agora com um Cavalo de Tróia, não da Grécia com os seus inúmeros problemas atuais, mas de Cuba com os seus problemas eternos derivados do regime comunista ali vigente.

Nessas condições, todos os brasileiros — de modo particular a nossa classe médica, a exemplo do que algumas de suas entidades representativas vêm fazendo — necessitam reagir com energia, dentro da lei e da ordem. Fazendo-o, estarão colaborando para preservar a soberania do Brasil e a saúde física e mental de nossa população, tão infensa à subversão e desejosa de ser tratada com competência e carinho, coisas que os médicos cubanos, por falta de capacidade profissional e excesso de formação ideológica, são incapazes de proporcionar.

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Mas este não é um problema isolado, o que o torna ainda muito mais preocupante. Com efeito, tal plano de “importação” coincide com a tentativa de revitalização das famigeradas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Empreitada de fins pouco claros que, após um semi-silêncio de cerca de três décadas, a CNBB chamou novamente a si, delegando-a, pelo visto, nada menos que ao Frei Beto, o grande amigo da Revolução cubana e instigador da subversão religiosa no Brasil e no Continente.

Tal revitalização foi tema prioritário da recente assembleia da CNBB em Aparecida, e Frei Beto anda no presente momento pelo Nordeste, como participante oficial de simpósios sobre o assunto, a exemplo dos organizados pelas Arquidioceses de Maceió e Natal. Ora, as CEBs, que atuaram como verdadeiros soviets, são um dos péssimos frutos da Teologia da Libertação. Desta falsa teologia da qual o próprio José Dirceu declarou certa vez ter ouvido diretamente de Fidel Castro em Havana a afirmação de que se ele a tivesse conhecido antes, teria evitado muitos erros para a Revolução comunista cubana. 

 Não se pode, por outro lado, deixar de recordar que em 1983 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu, juntamente com os irmãos Gustavo e Luís Solimeo, o importante livro: As CEBs, das quais muito se fala e pouco se conhece — A TFP as descreve como são, a partir de cuja larga divulgação por todo o Brasil as referidas CEBs encolheram.

Concluindo, nós nos encontramos diante de uma tentativa desesperada de um assalto final das esquerdas religiosas e políticas, com a finalidade de conquistar o Brasil e a América Latina para o comunismo. E tanto a “importação” dos médicos cubanos quanto a preocupante tentativa de revitalização das CEBs constituem elementos de suma importância nesse plano.

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/3B1BB153-DB95-4064-F7AA923C3E82EDE1/mes/Junho2013

Entrevistas de emprego bizarras exigem respostas criativas

Em meio à crescente competitividade no mercado de trabalho, sobretudo nos países europeus afetados pela crise, recrutadores têm recorrido a perguntas cada vez mais curiosas para selecionar os melhores candidatos. Nessa busca, questões como “quantas moedas de um centavo cabem nesta sala?” têm se tornado mais comuns.

Confrontado com essa questão durante uma entrevista para uma vaga em um banco de investimentos em Londres, um candidato começou a fazer contas, e pouco depois anunciou sua “melhor aposta”.

Ele não conseguiu a vaga.

O que o banco queria era alguém que tivesse dado qualquer resposta, mas que tivesse confiança suficiente para convencer os mercados de que estava certo.

“Há muito mais competição por vagas, e os empregadores estão se tornando menos dispostos a correr riscos”, afirma Claire McCartney, do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD). “É muito difícil para as pessoas se destacarem se elas só respondem questões de rotina.”

Então, quais as questões que os empregadores têm feito atualmente e qual seu principal objetivo? A BBC pediu a opinião de dois especialistas no assunto:

Como você coloca uma girafa na geladeira?

Essa questão foi feita por um entrevistador de um banco de investimentos londrino a um candidato para operador de mercado.

“Essa pergunta está testando as habilidades criativas do candidato, incluindo como ele pode propor soluções para desafios difíceis e menos usuais. Candidatos devem verbalizar em voz alta a resposta em qual estão pensando”, diz Rusty Rueff, especialista em carreiras do site de empregos Glassdoor.

“Lembre-se de que o entrevistador está mais interessado em testar como você chega a uma resposta do que no seu conteúdo.”

Resposta sugerida: “Para chegar a esta reposta, você poderia me passar mais detalhes, por exemplo, sobre o tamanho da girafa? Qual o tamanho da geladeira? Nós estamos num país em que matar uma girafa é ilegal ou não?”.

Demonstrar que você precisa de mais fatos antes de tirar uma conclusão pode ser uma vantagem.

E assim você deveria continuar: “Se a girafa puder morrer, então encaixá-la dentro da geladeira tem mais a ver com a retirada do que está dentro da geladeira e com a utilização das ferramentas que tenho ao meu redor para garantir que ela caiba. Aliás, quais as ferramentas eu tenho para trabalhar com esse espaço?”.

Você preferiria lutar contra um pato que tem o tamanho de um cavalo, ou contra 100 cavalos do tamanho de patos?

Esta questão foi feita durante uma entrevista numa mineradora para uma vaga de operador do mercado de grãos e minérios em Londres.

“Ela parece estranha, mas é um jeito bem-humorado e criativo de testar sua dedução objetiva, para a qual se requere fazer e checar presunções mais realísticas e recomendar a melhor ação a ser tomada”, opina John Lees, autor do estudo Job Interviews: Top Answers to Tough Questions. “Sua escolha é bem menos importante do que o processo que revela sua resposta”.

Demonstre cada passo do que você está pensando: “Ok, eu reconheço que ambos podem me matar, mas eu começaria a pensar sobre o quão agressivo cada animal pode ser. Cavalos podem morder e chutar e mesmo que eles sejam pequenos, ao ser atacado por um grupo, não lhe dá espaço para escapar”.

De quantas maneiras eu posso retirar uma agulha do palheiro?

Essa questão foi feita por um entrevistador de um banco internacional para uma vaga de desenvolvedor de Java em Londres.

“É outro exemplo de um entrevistador testando a habilidade do candidato para resolver problemas de maneira criativa. Pense e verbalize abertamente o processo da resposta”, diz Rueff.

A resposta sugerida dele é: “O que nós podemos enxergar, podemos encontrar. Neste caso, por que não colorir o palheiro numa cor que facilitasse a visão da agulha?”, afirma Rueff.

Tentar diferenciar a cor prateada (da agulha) do dourado da palha é muito difícil, mas se eu pudesse tornar o palheiro na cor verde, azul ou roxa, o prateado da agulha ficaria muito mais óbvio. A questão aqui é jogar uma nova luz sobre o problema para encontrar uma nova solução”.

John Lees tem sugestões mais diretas: “Se a agulha é feita de metal, um imã poderia ser uma ideia. Ou eu poderia simplesmente queimar a palha, e a agulha resistiria”.

Se você ganhasse US$ 1 milhão, o que faria com o dinheiro?

A questão foi feita por um entrevistador numa empresa contábil de Birmingham, na Inglaterra.

Rusty Rueff explica: “Como essa questão foi feita numa importante empresa contábil, a pergunta provavalmente é mais voltada a testar as habilidades de planejamento do candidato no curto e no longo prazo.

Assim, os empregadores provavelmente gostariam de ter alguém que não simplesmente gastasse todo o dinheiro de uma só vez.

Para Rueff, uma boa resposta seria: “Ganhar US$ 1 milhão seria definitivamente muito bom, mas eu gostaria de pensar melhor sobre todas as minhas opções e também considerar como este dinheiro seria taxado antes de gastá-lo. É bom considerar como eu poderia investir o dinheiro, quanto eu poderia doar para caridade e também se eu poderia utilizar uma parte para celebrar. Mas, caso você esteja preocupado, eu continuaria a trabalhar”.

John Lees complementa: “Se você não puder pensar em nada, diga ‘boa pergunta. Qual a melhor resposta você ouviu hoje?’”.

Como você explicaria o Facebook para sua avó?

A pergunta foi feita durante uma entrevista numa empresa de software para uma vaga de executivo de vendas em Londres.

Para Rueff, “o entrevistador quer testar como o candidato pode explicar a ideia de uma forma mais relevante e significativa para o usuário final”.

A reposta sugerida dele é: “Primeiro, é importante deixá-lo ciente de que eu conheço bem meu público-alvo e pesquisei o público ao qual estou me dirigindo.”

“Minha avó usa internet, é familiarizada com websites, mas não sabe nada ainda sobre mídias sociais. Então, neste caso, eu diria: ‘Vó, eu sei que você adora manter contato com seus amigos e família e eu sei também que você adora usar a internet para encontrar novas informações. Existe um site chamado Facebook que permite a você tanto se conectar com seus amigos e familiares online, como seguir empresas e organizações que você gosta, para ficar sabendo de seus últimos lançamentos. Vó, você tem tempo para que lhe mostre isso?’”.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130624_emprego_questoes_bizarras_gm.shtml

Dos Protestos e da História

Prof Carlos Ramalhete

 

Contexto histórico

 Estes protestos não surgem num vácuo; ao contrário, eles são parte integrante de uma onda de protestos que vêm varrendo todas as partes do planeta que foram dominadas, mais ou menos profundamente, pela dita “Civilização das Luzes”, ou “Modernidade”, uma forma de pensamento político antinatural que teve seu início prático há pouco mais de duzentos anos e agora chega a seu fim.

Resumindo muito, poderíamos dizer que a Modernidade é uma forma de absolutismo em que se considera que todo poder vem de um centro político. Em sua forma monárquica absolutista, era possível a um rei dizer “o Estado sou eu”. Cortando-se-lhe a cabeça, torna-se possível a um político dizer “todo o poder será exercido por mim em nome do Povo”. O significado prático de ambas as afirmações é o mesmo: o governante se percebe como o detentor de todo o poder, como a fonte do poder dos pais sobre os filhos (daí a facilidade do Estado moderno em tirar de alguém a “guarda” dos próprios filhos, por exemplo), dos professores sobre os alunos, dos empresários sobre seus funcionários, etc.

Esta forma de absolutismo, para sua implantação perfeita, demanda necessariamente que enorme parcela da população seja afastada por algum meio; o meio mais tradicional, empregado na França revolucionária, no nazi-fascismo, no comunismo e na expansão americana, foi o genocídio (respectivamente da nobreza, dos judeus, da burguesia e da população nativa e mexicana). A forma mitigada deste afastamento, empregada nos países de Modernidade do tipo capitalista, é o encarceramento maciço do lumpesinato urbano.

Tendo surgido na Europa, a penetração mais profunda desta ilusão antinatural sobre o funcionamento da sociedade ocorreu lá. No século passado, tivemos o auge da Modernidade, em que se digladiaram em território europeu suas formas mais puras, a fascista e a comunista.

Da Europa, contudo, esta ilusão antinatural espalhou-se pelo mundo. Os Estados Unidos da América – nas palavras de Chesterton, que cito de memória, “o único país erigido sobre uma ideia, não uma nacionalidade” – a Modernidade ganhou uma outra forma, talvez ainda mais pura por não ter sido construída sobre as ruínas da ordem social anterior, sim sobre a tábula rasa obtida com o genocídio da população nativa e – quando da invasão do norte do México, criando o atual sudoeste americano – católica mexicana.

Em outros lugares, contudo, incluindo o Brasil, a Modernidade não penetrou tão profundamente. Foi criada, sim, uma crosta superficial de Modernidade, com, por exemplo, uma legislação que tem a impessoalidade como valor, mantendo sempre, contudo, a população sua forma personalista e não Moderna de lidar com a realidade. Temos, assim, um Estado que se pretende Moderno, mas é uma Modernidade “pra inglês ver”. O mesmo político que se diz paladino da impessoalidade administrativa emprega toda a família; o mesmo cidadão de classe média que reclama da “corrupção” do político tenta – e frequentemente consegue – ser tratado de forma diferenciada pelo guarda de trânsito, pelo apelo a autoridade de amigos ou pela gorjeta.

Outro país em que a Modernidade não passa de uma crosta superficial é a Turquia, em que Attatürk tentou criar um país moderno à força no século passado, com sucesso apenas parcial.

É interessante perceber a semelhança, em muitos aspectos, da forma de eclosão dos protestos turcos e brasileiros, com um tema inicial irrelevante (um aumento de passagem de ônibus urbano aqui e a derrubada de algumas árvores para a construção de um centro comercial lá) servindo para desencadear uma onda de protestos absolutamente desproporcional à suposta causa. Em ambos os casos, o que se teve foi simplesmente – como observei no texto de minha coluna já citada – a eclosão abrupta de um sentimento de exasperação coletiva.

Nos países em que a Modernidade foi introjetada pela população, em que o modo de pensar da população é já completamente Moderno, contudo, os protestos tiveram outras formas. Nos EUA, ao niilismo das “ocupações” de Wall Street e outros lugares somou-se o romantismo individualista do Tea Party: formas modernas, ambas, de expressão de uma exasperação coletiva vaga demais para ser compreendida, mormente quando só se pensa em categorias modernas.

Da Europa, onde é mais profunda a percepção da participação política como ato coletivo, poderíamos citar as imensas manifestações com mais de um milhão de participantes da “Manif Pour Tous” francesa, que se levantou contra a imposição legal do “casamento gay”.

 O espírito do tempo

 Qual é o ponto comum de todas estas manifestações multitudinárias, de todos estes levantes, ocorrendo onde ocorreu a Modernidade? Qual é o “espírito do tempo”, o zeitgeist que as perpassa?

Por incrível que pareça, uma das afirmações mais próximas dele foi feita, no Brasil, pelo Senador Cristovam Buarque, mais conhecido por seu costumeiro utopismo tão delirante quanto bem intencionado. Propôs o Senador a extinção de todos os partidos políticos (o que, aliás, venho propondo há anos, por ser o eleitor brasileiro personalista).

Esta extinção, por sua vez, poderia ser expressa de outra maneira, na busca de uma definição essencial deste zeitgeist, no afã de isolar mais precisamente o ponto histórico em que estamos. Poderíamos apontar não mais para a frase do Senador, mas para o bordão que encontramos não só nas manifestações multitudinárias, mas em manifestações políticas individuais há já alguns meses: “não me representa”.

As manifestações coletivas são a soma de centenas de milhares de manifestações individuais de exasperação com a noção moderna e antinatural de centralização do poder. Daí o repúdio aos partidos políticos (que pretendem “representar” – ou seja, tomar para si o poder de – a população), aos homens e mulheres políticos, aos “líderes” autodenominados, etc.

Os atores políticos ligados às instituições soçobrantes, evidentemente, estão em pânico. O Movimento Passe Livre, grupelho de extrema-esquerda caricata que prega a estatização (leia-se “hipercentralização Moderna”) dos transportes públicos e que inadvertidamente serviu de estopim para os protestos, está pulando para cima e para baixo como uma criança mimada em busca de atenção. Os articulistas ligados às instituições estagnadas sob ataque tentam, no seu limitadíssimo horizonte conceitual, atribuir a um “fascismo” e a uma “extrema-direita” – mais assemelhados à proverbial cabeça de bacalhau que a um ator político real, na cena brasileira – a demanda multitudinária e ao mesmo tempo pessoal de devolução do poder ao indivíduo, expressa na frase “não me representa”.

Alguns chegam a incentivar vandalismos, talvez como forma de buscar um aumento da desordem que possa permita uma tentativa de implantação de um governo ditatorial (ou seja, hipermoderno). Em suma, querem voltar ao século passado. Estão no Titanic que afunda, bradando seus privilégios de ocupantes da primeira classe.

O momento histórico, contudo, não lhes é em nada propício. A tendência é a progressiva irrelevância das instituições excessivamente centralizadoras, com o crescimento das instituições naturais de autoridade (associações de bairro, grupos de ação político-cívica, etc.). Como em todo fim de sistema politico-civilizacional, a reação consiste em tentar mais do mesmo; podemos, por isto, esperar que se faça passar legislação mais centralizadora, etc. Isto, contudo, não tem como ter efeito real; esta legislação tende a ser ignorado, tanto mais quanto mais distante da realidade da população ela for. Trataremos disto com mais vagar mais abaixo neste mesmo texto.

 Os atores

 O principal ator político do momento é o jovem de classe média tradicional, fruto de uma educação ineficiente dominada pelo marxismo, somada a hábitos de consumo de massa do capitalismo tardio (desde seriados americanos como forma de “cultura” até o consumismo em senso mais estrito, com roupas e celulares de grife), com tudo isso servindo de cobertura para um bolo cuja massa é da mais pura cultura patriarcal tradicional, que o faz – apesar de seus apelos à modernidade – não pensar duas vezes antes de demandar privilégios de estamento (“você sabe com quem está falando?”, etc.). Ele compõe o grosso das manifestações e dá vazão verbal ao zeitgeist que, no entanto, anima também a outros atores. Por mais que a Globo tente esconder este fato, a composição socioeconômica e cultural das manifestações as torna muito próximas das Marchas da Família com Deus pela Liberdade de 1964.

Como ator secundário, já tradicional no casting brasileiro, a população de classe média baixa. Devido à inserção de enorme quantidade de jovens oriundos deste estamento no antes limitado quadro dos portadores de símbolos de pertença à classe média tradicional (principalmente carro, faculdade e eletrodomésticos), surgiu em cena uma força conservadora, insegura de sua pertença à classe privilegiada mas apegada a valores tradicionais e percebendo-se como em ascensão social por mérito próprio. Estes somam-se às manifestações de maneira mais tímida, por não terem tido aulas tão eficientes quanto as da classe média tradicional de “como é glorioso manifestar-se contra o poder” no ensino fundamental e médio. Também estão imbuídos deste zeitgeist anticentralizador, talvez até em dose maior que seus congêneres da classe média tradicional, devido à possibilidade de somar a participação política direta ao rol de símbolos de pertença à classe média que já ostentam.

Finalmente, a voz do atraso: os grupelhos (ou, se preferirem a linguagem deles, os “coletivos”) perdidos em algum momento entre o século retrasado e o século passado, ainda repletos de fantasias de construir no Brasil o que jamais conseguiram construir alhures, mesmo tendo matado cem milhões de pessoas na tentativa. Os militantes das formas exacerbadas de Modernidade (praticamente todos comunistas; há em São Paulo uma presença minúscula e caricata de militantes de um pseudo-fascismo tupiniquim, que não se sustenta ideologicamente, e só. São fascistas de butique, como há punks de butique) estão desesperados ao ver escorrer entre os dedos o que parecia tão próximo do sucesso, com a tomada dos governos (logo do poder, na visão simplista da maioria, ainda que alguns – como Freibetto – tenham discernido não ser o caso) pelo Foro de São Paulo.

Estes lutam ingloriamente contra o zeitgeist, tentando ou bem “domar” as manifestações, fazendo delas os costumeiros poleiros para políticos, adornando-as de bandeiras vermelhas e promessas vazias, ou bem transformá-las em desordem social aberta, através de atos de vandalismo que possam fazer com que se justifique uma (na visão deles) possível radicalização da autoridade centralizadora governamental, implantando à força uma ditadura comunista.

Como a mídia está umbilicalmente ligada ao governo, por ser dependente de anúncios milionários e estar povoada por jornalistas militantes destas formas exacerbadas de Modernidade, são apenas estes que têm voz nela; para a mídia, é imprescindível tentar reduzir a demanda das manifestações a qualquer coisa diferente de uma negação da centralização autoritária Moderna: daí a ênfase em besteiras irrelevantes, que levam a bola de volta ao campo da política tradicional, como se tudo isso fosse devido a passagens de ônibus, PECs e outras “demandas”.

Conspicuamente ausentes estão os conservadores, talvez por medo do desconhecido, talvez pelas infelizes declarações de alguns maîtres-à-penser, que não conseguiram ver além do quebra-quebra que está sendo incentivado pela extrema-esquerda numa tentativa frustra de esvaziar o momento histórico.

Nos lugares em que professores e outros intelectuais anticomunistas procuraram agir no sentido de influenciar as manifestações, a extrema-esquerda foi prontamente alijada dos protestos. Os lugares em que isto não ocorreu, o processo de “conservadorização” é mais lento, ainda que inexorável devido tanto ao fato de a maioria da população ser conservadora quando à incoerência entre o zeitgeist que as anima e as ideologias centralizadoras Modernas.

 Para onde isto tudo vai?

 A hipótese mais assustadora, usada como bicho-papão por alguns líderes para afastar os jovens engajados das manifestação, seria uma ditadura comunista. Isto é simplesmente impossível. Para implantar uma ditadura totalitária (ao contrário de uma ditadura meramente autoritária), como forçosamente uma ditadura comunista deve ser, é necessária a existência de uma massa crítica de aderentes ideológicos suficientemente grande para que se os possa uniformizar e armar para controle da população. Isto, no Brasil, é simplesmente impossível devido aos mecanismos culturais de sobrevivência brasileiros, que levam a um apoio “pra inglês ver” sem compromisso real. Em outras palavras, não há gente suficiente para fazer uma KGB ou Gestapo aqui, graças a Deus. O Brasil não é uma ilhota ao largo de Miami, da qual pudesse fugir a parcela da população que se faria necessário assassinar para ter sucesso numa revolução. Sem ter para onde ou como expulsar os indesejáveis e sem ter como levantar forças bastantes para mata-los, não há como fazer uma ditadura totalitária.

A segunda hipótese mais assustadora é uma ditadura autoritária de cunho populista, talvez alçada ao poder com participação das Forças Armadas. Há alguns candidatos a montar neste cavalo branco, do próprio Lula a Joaquim Barbosa, passando por outros menos votados, como Bolsonaro. Esta é uma hipótese real, não mais nem menos provável que as duas seguintes; o fiel da balança, devido à ausência conspícua de conservadores dispostos a agir dentro das manifestações, acaba sendo a capacidade destrutiva dos vândalos de extrema-esquerda e seus idiotas úteis niilistas.

A terceira alternativa seria a manutenção de Dilma na Presidência com apoio militar, fazendo dela, na prática, refém das Forças Armadas e desviando o projeto de poder da extrema-esquerda para o igualmente centralizador projeto tecnocrático dos militares. Na melhor das hipóteses, isto levaria a um cenário interessantíssimo na próxima eleição presidencial.

A quarta alternativa seria a tomada do poder pelos militares, que provavelmente levaria à antecipação das eleições presidenciais – ou talvez de todas as eleições, forçando uma recomposição do quadro político brasileiro – para evitar que as Forças Armadas se tornem alvo da continuação dos protestos. Afinal, a “educação” formal da juventude que ora protesta sempre demonizou as Forças Armadas.

 Em todo caso, cumpre lembrar que a cultura brasileira tem mecanismos de resolução de conflito ímpares. Basta perceber a diferença entre o ocorrido nos demais países latino-americanos e o ocorrido aqui nas proxy wars entre EUA e URSS dos anos sessenta e setenta: enquanto os países de nosso entorno, com populações comparativamente ínfimas, tiveram genocídios chegando às centenas de milhares de pessoas, o Brasil – com uma evolução do quadro político em tudo semelhante, dos anos sessenta até os dias atuais – não chegou a quinhentas vítimas de ambos os lados. Podemos e devemos contar com estes mecanismos, com a “turma do deixa disso”, com resoluções mais pacíficas que o que se poderia esperar da virulência das opiniões em curso.

O que há de acontecer ao longo das próximas décadas, contudo, é uma diminuição desta centralização excessiva, desta forma antinatural de percepção e ação do poder trazida pela Modernidade. Em termos práticos, isto significa que grande parcela do poder voltará a seus donos legítimos, com um aumento no protagonismo político-cívico das instâncias inferiores e uma diminuição proporcional da importância dos partidos ideológicos (que, se perdurarem, será na forma de fósseis comunistas inócuos ou – como já temos – gangues de venda e redistribuição de poder patrimonialista).

A ação cívica recomendável e afinada com o momento histórica, a meu ver, é assim a ação de organização destes protagonismos político-cívicos: associações de moradores, de atletas, etc. Se não há esgoto, que se faça um mutirão para construí-lo ao invés de pedir a um político. O poder não é dele, mas da população. Deve-se buscar a irrelevância cada vez maior das instâncias políticas mais afastadas da população, fazendo com que a associação de moradores tenha mais poder que o prefeito, que tenha mais poder que o governador, que tenha mais poder que o presidente. Assim é a ordem natural, assim sempre foram as coisas até a Modernidade chegar e inverter tudo de forma antinatural, levando, em seu auge, aos horrendos genocídios do século passado.

Em suma: acabaram os cheques em branco para políticos. Devemos agir, não pedir, fazer, não eleger.

E que Deus ajude o Brasil.

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