Da simpatia cínica à corrupção política

Sidney Silveira

O brasileiro tornou-se recordista mundial da indignação fingida. Somos a terra dos zumbis que se auto-hipnotizaram de tanto respirar o ar fétido das relações insinceras, da informalidade compulsória, da superficialidade transformada em convenção social, da tristeza por motivos fúteis, da dissipação mental com aparência de alegria, da intelectualidade de verniz, da falsa espontaneidade, dos abraços fáceis, dos sorrisos inconsequentes, do horror a normas e leis, do calor humano que esconde a mais terrível indiferença com relação ao próximo. É como se à nação inteira tivesse sido dada uma demoníaca beberagem, estranho elixir cujo efeito foi tornar as narinas brasileiras insensíveis ao fedor moral.
A estupidez generalizada por todos os estratos sociais, doença coletiva que nos acomete de maneira agônica, vai tornando a genuína amizade uma impossibilidade social. Entre nós, todo benfeitor parece fadado a beber o néctar da ingratidão, a constatar que, por trás da bonomia aparente, do presumível caráter pacífico, o brasileiro acabou por perder o vislumbre da verdadeira solidariedade. Em suma, na terra dos boas-praças, os vínculos interpessoais estão sempre à beira de romper-se: lânguidos, emotivos, hiper-sensíveis, patologicamente susceptíveis, somos um povo cheio de gente afetada por ninharias. Eis o motivo por que uma bobagem pode deflagrar reações desproporcionais, pôr fim a amizades de anos, ou melhor, a amizades fakes. Sim, porque uma amizade que acaba nunca começou — ou então começou torta, ou então começou unilateralmente, ou então começou pelos motivos errados.
Em contrapartida, coisas bastante sérias, atos gravíssimos, infrações éticas cabeludas, nada disso parece capaz de desfazer tais simulacros de amizade — entremeados de maledicência, de inveja, de disse-me-disse. Assim são as relações medíocres: conformadas ao que há de pior, chafurdadas porcinamente na lama, mas sem que ninguém reclame, devido a um tipo peculiar de osmose espiritual. Neste cenário, um sujeito injuria o outro, fala dele pelas costas (ou até pela frente), puxa-lhe o tapete no trabalho, mas tudo bem: ambos continuarão a manter a relação espúria da meia amizade, da empatia frívola medida por atos exteriores convencionais, como prendas de aniversário, telefonemas episódicos e saídas fortuitas para uma cervejinha.
Não é a troco de nada que o brasileiro costuma tomar qualquer objeção como afronta pessoal. Não é à toa que se sente mortalmente atingido ao ouvir pequenas verdades. Acostumado ao compadrio, ao multissecular jeitinho, aos favorecimentos mais ou menos ilícitos, a um horizonte de demagógica paz entre as pessoas, a não dizer o que pensa por medo de ser desagradável, ele virou um ser convenientemente híbrido. Trata-se de um anfíbio adaptável aos ambientes mais insalubres, amoldável às situações mais infames, em meio às quais costuma rir com desonra, tem por hábito escancarar os dentes com o ar mais malicioso do mundo. Sergio Buarque de Holanda, em meados do século passado, mostrou certo faro ao falar do “homem cordial” brasileiro, mas o seu diagnóstico carecia de profundidade filosófica e de base antropológica para poder chegar à clara visão das nossas deformidades.
Em nome da simpatia opressora que paira magicamente sobre as consciências, as pessoas sérias no Brasil são ridicularizadas nas empresas, nas escolas, nos clubes, nas esquinas. Aqui é vergonhoso ser ético, é socialmente condenável agir por princípios morais — pois o princípio geral, a norma consuetudinária de ação, sedimentada ao longo dos anos, é não ter princípio nenhum. Por isso as pessoas a quem o vulgo toma por inteligentes são em geral criaturas hipocritamente abertas a novidades as mais abstrusas. São também criaturas tendentes a seguir a boiada do momento, a opinião vigente difundida por engenheiros sociais. Hoje “somos todos Charlie”, amanhã “somos todos Amarildo”, depois de amanhã “não é apenas por vinte centavos”, e ao final de três dias não é bosta nenhuma — até surgir novo slogan deflagrador do frenesi, da histeria coletiva com ares de razoabilidade.
A nova geração de jovens belicosos, impermeáveis a qualquer opinião que não seja a do seu grupo, é efeito colateral do caráter indolente que dominou a nação por tanto tempo — conseqüência da afetividade desbragada na qual o Brasil foi aos poucos sucumbindo. A valentia desses pobres-diabos, maneira camuflada de auto-emulação, é uma forma lastimável de fraqueza ética. Na prática, valentões e covardões são antípodas complementares, pois entre a sinceridade orgulhosa e o comedimento hipócrita existe um liame secreto. Estes dois arquétipos humanos estão irmanados na hiper-sensibilidade psicótica que cresce a olhos vistos entre nós. 
Neste ponto, digamos com tristeza: o brasileiro médio nunca se caracterizou pela afeição à racionalidade, mas sim pela emotividade fluida. Por isso sempre oscilou entre a irreligião de matiz agnóstico e o sincretismo religioso, que é uma forma de superstição — e mesmo o catolicismo em Pindorama sempre tangenciou a nossa atávica inclinação à superficialidade e à afetação social de intenções altruístas. Ora, misturar tudo é não tomar partido de nada, uma maneira elegante de ser covarde, e a verdadeira religiosidade implica ir a águas profundas, viver os dilemas humanos com ânimo corajoso, tomar partido, autoconhecer-se, não ter medo de perder amigos por amor à verdade.
No presente momento, o país está submerso no maior lodaçal político da história da República. Esta desgraça não surgiu do nada, pois é fruto de alguns graves defeitos do Brasil como coletividade difundida no tempo e no espaço. Defeitos que o ex-presidente Lula parece encarnar com notável perfeição: malandro, indolente, esperto, caviloso, preguiçoso, susceptível, etc. Neste cenário, vemos surgir uma profilática ojeriza cívica a gente com o perfil do Sr. da Silva, gente que a população não quer mais ver no poder. Pela primeira vez em muitíssimas décadas, aflora uma indignação veraz da parte das pessoas de bem que não suportam mais o estado de coisas em que vivemos.
É a oportunidade histórica de começarmos a expurgar das instituições tipos humanos representativos do pior que há no caráter nacional — e constatamos isto sem otimismos irresponsáveis, mas apenas como uma luz tênue neste horizonte enevoado. 

Afinal de contas, se ao longo do tempo passamos do cinismo em forma de simpatia à corrupção política, será impossível fazermos da atual antipatia por nossos políticos o ponto de inflexão de uma mudança significativa? 

Liberdade para escravizar-se?

MATEUS COLOMBO MENDES

Em um país como o Brasil, cuja insegurança e cujo morticínio fazem regiões conflagradas mundo afora parecerem parques de diversões, não é nada prudente deter-se em discussões como a da legalização das drogas. Todavia, torna-se urgente dizer algumas palavras sobre isso, posto que se propõe desperdiçar tempo e dinheiro público no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, em debates sobre se os brasileiros devem ou não ser livres para se entorpecerem. Aliás, “entorpecer” é tornar torpe, causar torpor, perder a energia – retardar. Pois abro parênteses aqui: sou a favor da liberação das drogas a quem disser: “Sim, sim! Desejo honestamente deixar-me retardar. Quero mesmo é ser um grandissíssimo retardado!”. Neste único caso, defendo o direito ao uso e ao abuso de narcóticos, em nome da seleção natural. De resto, seguem minhas considerações.

Primeiramente, a quem defende o uso de substâncias como maconha e cocaína como exercício pleno de liberdade, digo: não há liberdade alguma no vício; há apenas escravidão. Nas preferências e nos prazeres humanos, busca-se, desde Aristóteles e Confúcio, o caminho do meio, a temperança. Sexo, álcool, comida e jogos, por exemplo, são boas coisas se mantidas sob controle; exagerar em seu uso ou consumo redunda em perder as rédeas e tornar-se escravo. Procure relatos de ninfomaníacos, alcoólatras, glutões e viciados em jogos: invariavelmente, a satisfação do começo, dos tempos de uso controlado, é logo substituída por uma dependência doentia, na qual se cede ao vício de forma automática, irrefletida, sem o gozo do prazer racional. Já no caso dos entorpecentes, o problema está em sua essência e é expresso em seu nome: entorpecem, causam torpor, alteram o estado de consciência do usuário, mesmo em pequenas doses, desde o primeiro uso, o que de forma alguma se relaciona com liberdade e dignidade humana. Não há, portanto, meio-termo e temperança no uso de maconha e cocaína – o retardo e a estupidez sobrevêm já às primeiras tragadas e inaladas.

Saindo da dimensão pessoal, aportemos na questão política. O leitor já se perguntou a quem – além de adultos imaturos (ou adolescentes tardios) – interessa a descriminalização e até a legalização das drogas? Não é preciso pensar muito para concluir que aqueles que detêm e fazem péssimo uso do poder político e financeiro não querem lidar com sujeitos sóbrios e verdadeiramente críticos; preferem uma sociedade literalmente entorpecida, composta por indivíduos que se deixam guiar e controlar por vícios e desejos primários. Além disso, pesquise e descubra que alguns dos maiores financiadores de campanhas de liberação de entorpecentes em todo o mundo são pessoas e instituições bilionárias, como a Open Society, do especulador George Soros, que financia a “luta” pela legalização das drogas em países subdesenvolvidos como o nosso, com interesse tanto no controle subjetivo exposto acima como nos bilhões de dólares do narcotráfico.

Ademais, a legalização não acabará com o comércio ilegal de drogas, da mesma forma como não acabou com o tráfico de outros itens, de cosméticos a medicinais. O efeito primeiro dessa medida seria transformar grandes traficantes em empresários bem-sucedidos, premiando-os por seus anos dedicados ao crime e ao assassínio de devedores, concorrentes e agentes de segurança. Por fim, os impostos que o Estado lucraria com a regulamentação desse mercado não cobririam os custos refletidos na saúde pública de uma nação que já conta com problemas demais – e não deve estimular que seu povo se dê ao luxo de usar sua liberdade para escravizar-se.

Publicado na Gazeta do Povo.

Mateus Colombo Mendes é editor, redator e empresário.

 

Seres-ameba

Caio Fábio

Quando se trata de pensar, por exemplo, no que nós estamos fazendo, participando e falando tão intensamente nos últimos meses e quase sempre tem a ver com nossas escolhas políticas, eu olho para isso sob muitas perspectivas.

Primeiro aquela histórica, imediata, como uma pessoa da sociedade, um partícipe do mundo concreto no espaço-tempo no período curto da minha existência sobre a terra.

Isso me faz buscar escolher aquilo que, com consciência limpa e sinceramente, sem compromissos de nenhuma natureza e nem olhando para o meu umbigo, eu creia que, em meio a toda relatividade de como as coisas acontecem na história humana, possa ser uma opção de melhoria ou de atraso do que fosse aceleradamente muito pior. Então ou eu voto e escolho pensando no que seja melhor, ou, outras vezes, naquilo que seja menos ruim. Eu nunca estarei na condição de escolher e votar, nesse planeta, naquilo que seja o ideal. Não existe esse lugar ideal na terra, a não ser na cabeça dos fanáticos.

O que me faz olhar para isso tudo de modo apenas assim, não mais do que assim, são algumas coisas.

A primeira é o fato de que aqui, na história, eu tenho consciência da relatividade de todos os projetos humanos. Todos. Todos são absolutamente relativos. E nós estamos apenas melhorando relatividades ou ‘despiorando’ relatividades. É o máximo que nós fazemos. Em relação a isso, o meu olhar também é assim porque eu só tenho um absoluto. Eu não tenho nenhum compromisso com nenhuma natureza de ideologia ou filosofia planetária. Podem ter certeza disso. Por isso é tão difícil para algumas pessoas me definirem e por isso cometem idiotices enormes porque não percebem o conjunto da minha percepção.

Mas o que me faz olhar e ver também tudo relativizado é o fato de que eu tenho um só Absoluto, um só Senhor, uma só mente a fazer minha cabeça e um desejo de alinhamento com esse único espírito, com nenhum outro espírito, nenhum outro principado, nenhuma outra potestade, com nenhuma expressão de ideologia e de poder humanos. Para mim, eles são meras circunstancialidades que precisam ser usadas na tentativa de melhoramento ou na interferência, na tentativa de se interromper o que seja o fluxo de pioras.

Também me faz olhar para essa circunstância toda e vê-la na sua mais absoluta relatividade, e até idiotice, o simples fato de eu pensar no que é esse lugar e essa arena onde esse embate está se travando. Nós estamos no Brasil, na América do Sul, na América Latina, no hemisfério sul, no lado ocidental do planeta terra, no sistema solar, entre tantos outros sistemas formando galáxias, que é uma poeirinha galáctica em meio a bilhões de outras galáxias, tão maiores do que a nossa, que a nossa se torna apenas um detalhe de algo absolutamente maior, crescente, invasivamente crescente, indefinível, habitando um ambiente que não se sabe qual seja a natureza dele porque se sabe apenas que, para além do espaço-tempo, há outras camadas e possibilidades de paralelismos multiversos.

No meio disso tudo, voltando à escala mais básica, está aí: luta política na arena do Brasil. O que significa isso? Significa que nós, meros fungos, ou vírus, ou bactérias, o que quer que você queira, estamos travando batalhas em um corpo, que para nós parece ser algo absoluto no seu significado e que nada mais é do que uma briga de vermes no intestino grosso da latrina americana deste planeta ‘enlixado’ e que tem esse poder, essa capacidade, no curso da civilização, de olhar para o horizonte imediato e para o momento presente e fazer daquilo o absoluto-absoluto.

 www.caiofabio.net

“ENQUANTO ROMA ARDE EM CHAMAS, NERO TOCA HARPA”

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Faço questão em postar este pronunciamento de um jovem seminarista e de um futuro sacerdote. Nem tudo está perdido na Igreja. Quando lemos algo assim vindo de alguém que se prepara para subir ao “altar de Deus”, renascem em nós a esperança.

Diante da crise tremenda que assola a Barca de Pedro, crise de fé que chegou ao mais alto cume dos degraus da confissão, essa visão de um seminarista nos faz rezar mais pelo triunfo do Coração Imaculado de Maria.

Alguém escrevia sobre esse episódio escandaloso de uma religiosa dançando feito funqueira, com hábito e tudo: ” Enquanto Roma arde em chamas, Nero toca harpa!” Rezemos! É o triunfo daquilo que um dia foi condenado por S. Pio X.

Boa leitura

Pe. Marcélo Tenorio

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POR QUE O SUSTO?

Por Thiago FRagoso

Desde a noite da última quarta-feira (19) não se fala sobre outra coisa nos círculos católicos a não ser sobre a Ir. Cristina Scuccia (25 anos) e sua maravilhosa performance no “The Voice Italia”. Envergando seu hábito, a religiosa cantou e dançou a música “No one” de Alicia Keys. Aplaudida de pé pelo auditório, Ir. Cristina causou expressões de susto e estranheza nos quatro jurados que, ao girar a cadeira, depararam-se com uma freira cantando no palco. Em vista disso, alguns amigos enviaram mensagens pelo inbox perguntando o que eu achei sobre o fato. Ofereço-lhes agora a minha reflexão.

Em primeiro lugar, devo dizer que achei aquilo o cúmulo do ridículo. Uma religiosa cantando e dançando uma música profana num palco mundano… O que Madre Teresa diria sobre esse fato lamentável? Alguns protestarão afirmando que é um novo modo de evangelizar. Evangelizar? A que preço? Conformando-se ao jeito de ser e às expectativas do mundo? O Cardeal Cerejeira, grande Patriarca de Lisboa, dizia que o que o mundo espera do consagrado é que ele não se iguale ao mundo.

Não me admira que os jurados tenham feito aquela cara de espanto. O último tipo de pessoa que se poderia imaginar num palco daqueles é um freira! A prova mais clara dessa incompatibilidade é a cara de susto dos jurados, porque o mundo – e os jurados parecem-me representar bem esse mundo – reconhece bem o que é seu e o que não é, como nos diz o querido Pe Marcelo Tenorio.

Interessante também a pergunta de Raffaela Carrà (uma das juradas) sobre qual seria a reação do Vaticano àquela apresentação. Até na mente da Sra. Carrà aquela performance se opõe ao que se espera do comportamento das religiosas. Qual a resposta da freira? “Olha, não sei, espero um telefonema do Papa Francisco. Ele nos convida a sair, evangelizar, a dizer que Deus não nos tira nada, pelo contrário, nos dá ainda mais. Eu estou aqui por isso”. Será que é isso mesmo que o Santo Padre tem em mente quando nos convida a sair, evangelizar, etc.? Precisamos ter cuidado para não interpretar erroneamente as palavras do Santo Padre, senão vamos terminar “evangelizando” no “Rock in Rio” ou na “Parada Gay” de São Paulo. Imaginem aí as freiras de hábito cantando num trio de Ivete Sangalo no Carnaval baiano. Imaginem as religiosas desfilando de hábito como ‘destaque’ na Marquês de Sapucaí para ‘evangelizar’.

A maioria das pessoas olha para um fato lamentável desses e aplaude como se fosse a coisa mais normal do mundo! Não acho normal que uma mulher que decidiu consagrar sua vida ao Senhor faça parte desse ‘circo’ funesto. Não acho normal que uma religiosa participe desse tipo de programa cantando frases como: “Você pode ter certeza de que só vai melhorar, você e eu juntos dias e noites. Eu não me preocupo porque tudo vai dar certo” (You can be sure that it will only get better, you and me together through the days and nights. I don’t worry ‘cause everything’s gonna be alright). Que letra evangelizadora! Aposto que moveu os corações de todos a retornar ao Senhor. “Só que não”!

E as caretas dela? E os seus pulinhos e gestos satânicos apontando o indicador e o mínimo para o alto? Tudo em nome de uma pseudo-evangelização. Não nos enganemos, meus caros! A radicalidade do Evangelho não comporta determinados comportamentos por parte de cristãos. Se a Ir. Cristina aprecia esse tipo de música, tudo bem. Mas, por gentileza, ‘sorella’, não nos exponha o escárnio. Não dê motivos aos inimigos da cruz de Cristo para pensar que, por causa de comportamentos como o seu, eles podem encontrar no Catolicismo um aliado.

Rezemos ao Senhor para que conceda a todos nós uma real compreensão do significado do nosso Batismo e das exigências que as nossas opções de vida comportam. Ouçamos a advertência do Apóstolo São Paulo: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,2).

Que Deus nos ajude!

Thiago Fragoso
João Pessoa, 21 de março de 2014

http://www.padremarcelotenorio.com/

Apesar dos apelos de todo o mundo, o Rei Felipe aprovou a lei da eutanásia infantil na Bélgica

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O rei Felipe da Bélgica sancionou na segunda-feira (3), a lei da eutanásia infantil que autoriza terminar com a vida de uma criança sem limite de idade. De acordo com a nova legislação, serão suficientes duas opiniões médicas e o conselho de um psicólogo juvenil ou psiquiatra. Além disso, os pais deverão dar o seu consentimento por escrito.

O parlamento belga aprovou em meados de fevereiro uma extensão da lei da eutanásia, para que as crianças e adolescentes suficientemente maduros possam optar por ela em circunstâncias muito restritas, quando padeçam de um “sofrimento físico insuportável e a sua morte a curto prazo seja inevitável”.

A assinatura do monarca era um ato puramente simbólico, embora indispensável para a entrada em vigor da norma.

O rei Alberto, pai do atual monarca, assinou em 2002 a lei da eutanásia, um ato realizado “como instituição e para não bloquear o processo democrático”.

Durante meses, as formações políticas discutiram sobre esta polêmica medida. A eutanásia pediátrica contou com o apoio dos socialistas e liberais valões e flamengos, dos verdes e do partido separatista flamengo N-VA. Mantiveram-se contra os Democratas cristãos valões e flamengos e o partido Vlaams Belang.

Inúmeros profissionais médicos reagiram violentamente a uma lei que eles concordam que não responde a nenhuma demanda da sociedade e nem do setor sanitário.

A legislação deplorável também tem recebido as críticas do primeiro Congresso Internacional de Cuidados Paliativos Pediátricos realizado na Índia e que incluiu na sua declaração final um “apelo urgente ao Governo belga para reconsiderar a sua decisão”.

Os especialistas reunidos no congresso internacional defenderam que todos os menores em estado terminal devem ter acesso aos meios adequados para controlar a dor e os sintomas, bem como a cuidados paliativos de alta qualidade. “Acreditamos que a eutanásia não faça parte da terapia paliativa pediátrica e não seja uma alternativa”, diz o texto publicado pelos meios de comunicação belgas.

Enquanto isso, os líderes das grandes religiões da Bélgica (cristãos, muçulmanos e judeus) têm mostrado repetidamente a sua rejeição da lei. Neste sentido, no dia 6 de novembro emitiram uma declaração opondo-se à legalização da eutanásia para menores. “A eutanásia das pessoas mais vulneráveis ​​é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”, denunciavam. “É uma negação da dignidade dessas pessoas e as deixa ao critério, ou seja, à arbitrariedade de quem decide”, acrescentavam .

Na nota, divulgada pela agência Cathobel, os líderes religiosos destacavam que são “contra o sofrimento físico e moral, especialmente das crianças”, mas explicavam que “propor que os menores possam eleger a sua própria morte é um modo de falsificar a sua faculdade de julgar e portanto a sua liberdade”. Expressamos o nosso firme desejo diante do risco de banalização crescente de uma realidade tão grave”, concluíram .

Os líderes religiosos da Bélgica também afirmaram em outra mensagem conjunta que “a eutanásia das pessoas mais frágeis é desumana e destrói as bases da nossa sociedade”, e acrescentou que “é uma negação da dignidade dessas pessoas e as deixa para a arbitrariedade de quem decide”.

http://blog.comshalom.org/carmadelio/39638-apesar-dos-apelos-de-todo-o-mundo-rei-felipe-aprovou-lei-da-eutanasia-infantil-na-belgica