Fé e Razão: Distinguir para unir

Ivo de Kermantin

O Espírito Santo nos lembra, pela boca dos três jovens na fornalha, do livro do profeta Daniel, duas verdades elementares: nós somos obra do Senhor e devemos louvá-lo para sempre.  Na linguagem filosófica, se diz que Deus é nossa causa eficiente, ou causa primeira, e nossa causa final. Deus é nosso criador e é também nosso fim, nosso sumo bem. Já os filósofos antigos o tinham dito, e a maior parte das civilizações o tinha por certo, ainda que suas crenças fossem cheias de erros.

Que Deus seja nosso Criador, sabendo que Ele nos transcende infinitamente, não é algo difícil de compreender. Um problema aparece, entretanto, considerando esta mesma transcendência, para compreender como Deus possa ser nosso fim último. Nós temos uma inteligência e uma vontade. O fim da inteligência é conhecer e o fim da vontade é amar. Sabendo que só pode ser amado aquilo que é conhecido, se o homem não pudesse conhecer a Deus, ele seria totalmente privado do seu fim.

Existem duas maneiras pela qual nós podemos conhecer a Deus: pela razão ou pela Fé. Nossa razão conhece todas as coisas a partir de um conhecimento sensível[2].  Ora, Deus sendo um ser puramente espiritual, apenas os seus efeitos podem ser atingidos pelos nossos sentidos. Logo, o conhecimento que temos de Deus pela razão é limitado. Nós podemos conhecer pela razão, por exemplo, que Deus existe, mas o conhecimento de Deus que nós temos pelos seus efeitos, não é suficiente para nos fazer conhecer a essência divina. Existem, então, verdades sobre Deus que são inacessíveis a nossa razão.

Mas, visto que o homem precisa conhecer a Deus infinito, que é o seu fim, para que ele possa ordenar a Deus suas intenções e suas ações, convinha que estas verdades fossem propostas para a aceitação da nossa fé, já que elas excedem os limites da razão. Pela fé, então, nós podemos conhecer aquilo que é inacessível à razão, porque nós cremos naquilo que Deus nos ensinou, mesmo se o nosso raciocínio não consegue prová-lo.

Ora, na Revelação, além das verdades que excedem os limites da nossa razão, também são propostas à aceitação da nossa fé verdades acessíveis à nossa razão. Isso parece absurdo à primeira vista porque nada pode ser conhecido pela razão e aceito pela fé ao mesmo tempo[3]. No entanto, não só é possível que as verdades acessíveis à razão sejam propostas à aceitação de nossa fé, mas é mesmo salutar, porque algumas verdades podem ser conhecidas pelos sábios, mas cridas pelos ignorantes. Além do que, muitas vezes por causa da fraqueza do nosso entendimento e das falhas da nossa imaginação, o erro se introduz no nosso conhecimento. Por isso era salutar que a Providência impusesse como verdade de fé algumas verdades acessíveis à razão, afim de que todos participassem tranquilamente do conhecimento de Deus sem medo de dúvida nem de erro[4]

Assim, a fé não é uma violência imposta à nossa razão, mas, ao contrário, ela confere ao conhecimento racional a sua perfeição e o seu acabamento. Não pode, igualmente, existir contradição entre fé e razão porque, sendo Deus o autor da natureza, é dele que vêm o conhecimento natural que nós temos dos princípios e entre uma razão dada por Deus e uma Revelação que vem de Deus não pode haver contradição[5].

Enfim, unidas fé e razão, não se deve confundi-las. Se a fé anima a razão, a razão que apoia a fé não deixa por isso de fazer operações puramente racionais e de afirmar conclusões fundadas sobre a única evidência dos primeiros princípios, comuns a toda inteligência humana (ex.: principio de não contradição) [6]. Se, ao contrário, a fé for posta como única garantia da razão, não só a razão se torna inútil porque ele não nos traz nenhuma certeza, mas também a fé perde toda a sua força, porque ela perde o seu suporte que é a razão[7].

[1] “Obras do Senhor, bendizei todas ao Senhor; louvai-o e exaltai-o por todos os séculos”.

[2]Nihil est in intellectu quod non priusfuerit in sensu.

[3]Impossibile est quod de eodemsit fides etscientia (Qu. disp. de Veritate, qu. XIV, art.9, ad Resp., et ad 6m.

[4] Cont. Gent., I, 4.

[5] Cont. Gent., I, 7

[6] GILSON, Etienne. Le Tomisme (livro sobre o qual é baseado todo esse artigo)

[7] Um ser sem inteligência não pode ter a fé.

 

Diabetes atinge proporções epidêmicas no Brasil e no mundo

Diabetes afeta 12 milhões de brasileiros

 

A doença está se tornando a epidemia do século e já afeta cerca de 371 milhões de pessoas no mundo, segundo o relatório da Federação Internacional de Diabetes

 

Na quinta-feira, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. O diabetes está se tornando a epidemia do século e já afeta cerca de 371 milhões de pessoas no mundo, segundo o relatório da Federação Internacional de Diabetes. Até 2030, a previsão é de que esse número chegue a 552 milhões.
 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, já são mais de 12 milhões de diabéticos no país, sendo que a metade desconhece tal condição. Diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento anormal do açúcar ou glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo, mas em excesso pode trazer várias complicações.
 
Algumas pessoas desenvolvem diabetes após doenças no pâncreas. A maioria desenvolve e não se consegue descobrir a causa, mas sabe-se que, em qualquer das situações, o pâncreas não funciona corretamente, seja não fabricando nenhuma insulina (Diabete tipo I), pouca insulina ou uma insulina fraca (Diabete tipo II).
 
Quando não tratada, pode causar infarto do coração, derrame cerebral, insuficiência renal, problemas visuais e lesões de difícil cicatrização, inclusive com amputação de membros, entre outras complicações.
 
O diagnóstico pode ser feito por meio de um exame simples, onde a quantidade de glicose no sangue é dosada. É importante que esse exame seja feito após um jejum de 8 a 12 horas para que o valor encontrado seja o mais correto possível.
 
As pessoas que já sabem que são diabéticas devem tomar sua medicação corretamente, fazer dieta, evitar açúcares e doces, comer verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e não deixar de realizar atividade física. Quem possui qualquer suspeita da doença, deve procurar atendimento médico o mais breve possível.
 
 
 
Diabético e vida saudável
 
Algumas orientações nutricionais são fundamentais para que o diabético leve uma vida saudável. Veja uma lista de alimentos proibidos e confira algumas receitas adaptadas para os diabéticos.
 
Alimentos de consumo proibido:
 
Açúcares (refinado, cristal, mascavo, invertido, light, de confeiteiro, orgânico), mel, caldo de cana, glucose de milho (Karo®), doces em geral.
Alimentos industrializados que contenham açúcar, como: achocolatados em pó, temperos prontos, geleias, pães doces, biscoitos recheados, balas, sorvetes, bolos confeitados, goiabada, marmelada, doces em compota, refrigerantes e sucos não dietéticos.
Leite integral, iogurte integral, creme de leite, leite condensado, nata, queijos com excesso de sal e/ou gordurosos: cheddar, parmesão, provolone, gorgonzola (visando controle de peso).
Carnes gordurosas e/ou processadas: presunto, mortadela, bacon, paio, linguiça, salame, salsicha, hambúrguer, carne seca, cupim, acém, picanha, miúdos em geral, carne de porco (exceto lombo).
Peixes gordurosos, processados e salgados: sardinha em lata, atum em lata (conservado em óleo), aliche, bacalhau, arenque, cavala, truta, frutos do mar.
Aves processadas: nuggets, stake de frango, hambúrguer de frango, lingüiça de frango, frango defumado.
Condimentos e molhos: molho inglês, molho de soja (shoyo), molho para saladas, maionese, amaciante de carnes, molhos prontos de tomate e para carnes, condimentos em pó/cubos, sopas prontas (liofilizadas que contenham sal).
 
Orientações gerais:
 
Reduza progressivamente o consumo de alimentos industrializados, substituindo-os por alimentos naturais e preparações caseiras.
Realce o sabor dos alimentos utilizando suco de limão, vinagre, especiarias/ervas aromáticas como alho, cebola, cebolinha, salsa, alecrim, colorau, hortelã, louro, manjericão, gengibre; Substitua o açúcar por adoçante (aspartame, sucralose, stévia).
Fracione as refeições com intervalos de 3 em 3 horas (↓ volume ↑vezes).
Não consumir mais do que um tipo de carboidrato na mesma refeição.
Ex.: arroz, batata, mandioca, mandioquinha, macarrão, farofa/farinha, pão.
Prefira cortes de carne magra (patinho, coxão mole, lagarto, paleta e alcatra), leites desnatados e queijos magros (minas frescal, ricota, cotage). Retire a pele do frango e a gordura da carne antes do preparo.
Aumente o consumo de fibras (frutas com casca, verduras de preferência cruas, cereais e massas integrais).
Consumir em torno de 3 a 5 porções de frutas por dia, variando os tipos e evitando grandes quantidades de uma só vez (uma porção de fruta por horário). Ex.: 1 maçã ou ½ mamão papaya pequeno ou 1 pires (chá) de morango.
O doce diet é uma boa opção, porém, muitas vezes esses alimentos são mais gordurosos do que a versão normal, portanto devemos consumi-los com moderação.
Utilize óleos em pequena quantidade (soja, milho, girassol, canola) e azeite extra-virgem.
Realize as refeições com calma, em ambiente tranquilo, mastigando bem os alimentos.
 
 

Cientistas ‘degustam’ o primeiro hambúrguer de laboratório do mundo

Hambúrguer comum | Foto: BBC

O primeiro hambúrguer feito em laboratório foi apresentado e degustado nesta segunda-feira, numa conferência científica em Londres.

Cientistas holandeses utilizaram células retiradas de uma vaca para reconstituir os músculos de carne bovina, que foram combinados a outros ingredientes para fazer o hambúrguer.

Os pesquisadores dizem que a tecnologia poderia ser uma forma sustentável para suprir a crescente demanda por carne.

Mas críticos da ideia dizem que comer menos carne seria o jeito mais fácil para compensar a já prevista falta de comida no mundo.

Modo de fazer

Músculo da carne criada em laboratório | Foto: BBC

1. Os cientistas começam extraindo extraindo células do músculo de uma vaca.

2. No laboratório, as células são colocadas numa cultura – solução – com nutrientes para promover o crescimento e multiplicação das células.

3. Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são divididas e colocadas em recipientes menores.

4. As células já crescidas se transformaram em pequenas tiras de músculo de aproximadamente um centímetro de comprimento e apenas alguns milímetros de espessura (foto).

5. As pequenas tiras são então coletadas e juntadas em pequenos montes, que então são congelados.

6. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas então são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidas.

7. O primeiro hambúrguer testado também leva açafrão, caramelo e suco de beterraba para dar cor e sabor.

Receita: Universidade de Maastricht

Segurança alimentar

A BBC obteve acesso exclusivo ao laboratório em que o projeto para produzir a carne foi implementado ao custo de cerca de R$ 750 mil.

Na Universidade de Maastricht, na Holanda, a pouco mais de 200 km da capital Amsterdã, o cientista à frente do experimento destaca a preocupação ambiental do estudo.

“Vamos apresentar ao mundo o primeiro hambúrguer feito em laboratório a partir de células. Estamos fazendo isso porque a criação animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial (por comida) e também não é boa para os próprios animais”, ressalta Mark Post, professor da Universidade de Maastricht.

Para Tara Garnett, que é chefe da Food Policy Research Network (um centro de pesquisas da área de alimentos) da Universidade de Oxford, na Inglaterra, os tomadores de decisão precisam olhar além das soluções técnicas na área de segurança alimentar.

“Nós temos uma situação onde 1,4 bilhão de pessoas no mundo ficam obesas da noite para o dia e, ao mesmo tempo, um bilhão de pessoas no mundo todo vão para a cama com fome”, ressalta.

“Isso é simplesmente estranho e inaceitável. As soluções não se estabelecem na produção, mas na mudança dos sistemas de suprimento e acesso, com barateamento. E mais e melhores alimentos para pessoas que precisam deles”, critica.

A receita

As células-tronco são as “mestres” do corpo humano, que podem se desenvolver em tecidos em diversas formas, tais como nervos e pele.

A maioria dos centros de pesquisa atuando nessa área de estudos tenta reproduzir tecidos humanos que possam ser usados para transplantes, reparando danos em músculos, nervos e cartilagem.

Os cientistas da Holanda querem utilizar técnicas similares para produzir músculo e gordura dos alimentos.

Tradicional x de laboratório

Hambúrguer comum | Foto: BBC

Um estudo independente revelou que a carne produzida em laboratório usa 45% menos energia para ser feita do que a média utilizada para a produção a partir de animais criados em fazendas.

O método também significa 96% menos emissões de gás na atmosfera e necessita 99% menos terra.

Fonte:Environment, Science & Tecnology Journal

O professor Mark Post começou extraindo células do músculo de uma vaca. No laboratório, as células são colocadas numa cultura – solução – com nutrientes para promover o crescimento e multiplicação das células.

Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são divididas e colocadas em recipientes menores onde elas se tornam pequenas tiras de músculo de aproximadamente um centímetro de comprimento e apenas alguns milímetros de espessura.

As pequenas tiras são então coletadas e juntadas em pequenos montes, que então são congelados. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas então são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidos.

Tem gosto bom?

Os cientistas tentaram recriar a carne, que inicialmente tinha a cor branca, da maneira mais autêntica possível.

A professora Helen Breewood, que atua com Post nos estudos, vem tentando fazer com que o músculo criado em laboratório fique vermelho adicionando um composto existente na carne de verdade chamado mioglobina.

“Se não se parece com a carne normal, se não tem gosto de uma carne normal, não se tornará viável”, afirma Breewood.

No momento, porém, este é um trabalho em progresso. O hambúrguer a ser apresentado hoje foi colorido com suco de beterraba. Os pesquisadores também adicionaram farinha de pão (ou farinha de rosca), caramelo e açafrão, que ajudam no sabor.

Vamos apresentar ao mundo o primeiro hambúrguer feito em laboratório a partir de células. Estamos fazendo isso porque a criação animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial (por comida) e também não é boa para os próprios animais

Mark Post, chefe da pesquisa

Até o momento, os cientistas podem apenas produzir pequenos pedaços de carne por vez. Quantidades maiores iriam requerer um sistema circulatório para distribuir nutrientes e oxigênio.

Os primeiros resultados sugerem que o hambúrguer não terá gosto tão bom, mas Breewood espera que ele tenha um sabor “bom o bastante”.

Sofrimento animal

A pesquisadora Helen Breewood, apesar de atuar no projeto para produzir carne em laboratório, é vegetariana e acredita que a produção de carne gasta muitas fontes de energia. Ela afirma que se comesse carne, iria preferir a feita em laboratório.

“Muita gente considera carne feita em laboratório repulsiva num primeiro momento. Mas se eles soubessem o que acontece nos abatedouros para a produção de carne normal, também achariam repulsivo”, ressalta.

Numa nota, representantes do grupo Pessoas pela Ética do Tratamento aos Animais (People for the Ethical Treatment of Animals – Peta) ressaltaram os benefícios da carne de laboratório.

“(Carne de laboratório) irá favorecer o fim de caminhões cheios de vacas, frango, abatedouros e fazendas de produção. Irá reduzir a emissão de gases de carbono, economizar água e fazer a rede de suprimento de alimentos mais segura”, destacou a nota do Peta.

Mas a escritora especializada em alimentos Sybil Kappor diz que sentiria dificuldades em comer a carne de laboratório.

“Quanto mais longe você vai do normal, de uma dieta natural, mais corre riscos de saúde e outras questões”, ressalta.

O último levantamento das Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas sobre o futuro da produção de alimentos mostra crescimento da demanda por carne na China e Brasil – e o consumo só não cresce mais porque muitos indianos mantêm a dieta amplamente vegetariana por costume cultural.

Assim, há o risco de que a carne produzida em laboratório seja uma aparente solução, cheia de problemas.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130805_hamburguer_laboratorio_gm.shtml

Criada por brasileiros, vacina contra Aids avança e será testada em macacos

Vírus HIV | Foto: SPL

Cientistas brasileiros desenvolveram uma vacina contra o vírus HIV, causador da Aids, e vão começar a testá-la em macacos ainda este ano.

De acordo com a Fapesp (Fundação de Ampara o à Pesquisa do Estado de São Paulo), essa fase do projeto irá durar dois anos e os experimentos devem indicar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos.

Uma versão anterior da vacina ─ desenvolvida por pesquisadores da USP ─ já havia sido testado anteriormente em camundongos, mostrando que a técnica era, sim, eficaz.

Se os resultados forem positivos nos macacos e se houver financiamento suficiente, a vacina ─ denominada HIVBr18 ─ pode ser usada para os primeiros testes clínicos, ou seja, em seres humanos.

Nessa etapa, ela deve ser testada uma população saudável e com baixo risco de contrair o HIV, segundo a Fapesp. Essas pessoas seriam então acompanhadas de perto por vários anos. O objetivo seria avaliar a segurança da vacina, além de “verificar a magnitude da resposta imune que ele é capaz de desencadear e por quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo”.

Carga viral

No teste mais recente, feito com camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo. “O HIV normalmente não infecta camundongos, então nós pegamos um vírus chamado vacina ─ que é aparentado do causador da varíola ─ e colocamos dentro dele antígenos do HIV”, contou à Agência Fapesp Edécio Cunha Neto, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos pesquisadores que desenvolveu a vacina.

Nos animais imunizados, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle.

Se a HIVBr18 for bem-sucedida nessa etapa, ela pode despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até a fase seguinte dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.

Cunha Neto desenvolveu e patenteou a vacina juntamente os com também pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP Jorge Kalil e Simone Fonseca. Eles deram início às pesquisas em 2001.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130805_vacina_aids_mdb.shtml

Transplantes de medula ‘livram’ dois pacientes de vírus HIV

vírus HIV (foto: SPL)

 

James Gallagher

Dois pacientes portadores de HIV que receberam transplantes de medula óssea ficaram livres do vírus e interromperam o tratamento com medicamentos antirretroviais.

Os avanços, que trazem esperança para o tratamento da Aids, foram anunciados por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, durante a Conferência Internacional sobre Aids.

Segundo os médicos, um dos pacientes já não toma medicamentos há 15 semanas e o outro há 8 e, desde então, exames não detectaram sinais do HIV em seus organismos.

A equipe pondera que ainda é muito cedo para falar de cura para a Aids e alerta que o vírus pode retornar a qualquer momento.

Os pesquisadores explicam que é muito difícil se livrar do vírus, que se esconde dentro o DNA humano, formando “reservatórios” pelo corpo.

Os dois homens, que não foram identificados, são portadores de HIV há cerca de 30 anos. Ambos tiveram câncer linfático, um tipo de tumor que requer transplante de medula.

Depósito de HIV

A medula óssea é onde as células sanguíneas são produzidas e acredita-se que o órgão seja um “grande depósito” de HIV.

A equipe médica que acompanha os pacientes acredita que os medicamentos antirretrovirais tenham protegido a medula transplantada da infecção. Ao mesmo tempo, o novo órgão teria “atacado” o que restou da medula original dos pacientes, que poderia estar abrigando o vírus.

Em um dos pacientes, os médicos não detectaram sinais do vírus nos quatro anos seguintes ao transplante. No outro paciente, dois anos após a operação o vírus também não havia retornado. Ambos foram liberados dos antirretrovirais no início deste ano.

O médico Timothy Henrich disse à BBC que os resultados são animadores, ressaltando que ainda é cedo para falar de cura.

“Ainda temos que acompanhar (os dois pacientes) por muito tempo”, disse Henrich.

“O que podemos dizer é que se o vírus não voltar dois anos depois de eles terem interrompido a medicação, as chances do vírus voltar são extremamente baixas”.

No entanto, Henrich afirmou que o vírus ainda poderia estar se escondendo no tecido cerebral ou no trato gastrointestinal.

“Se o vírus voltar significa que esses outros órgãos são um reservatório importante para o vírus, o que pode reorientar as pesquisas sobre a cura da Aids”.

Paciente de Berlim

Timothy Brown, também conhecido como “Paciente de Berlim”, é a única pessoa de quem se tem notícia até hoje que tenha ficado curado da Aids. Em 2006, ele recebeu um transplante de medula óssea de um doador raro, imune ao vírus HIV.

Os dois pacientes analisados pelos pesquisadores americanos receberam medulas de doadores normais.

Há também relatos de que um bebê que nasceu com HIV no Estado americano de Mississippi tenha sido curado após ser tratado com antirretrovirais assim que nasceu, evitando que o vírus encontrasse reservatórios pelo organismo.

O médico Michael Brady, diretor da fundação Terrence Higgins Trust, conhecida entidade beneficente britânica que faz campanhas por prevenção e tratamento de Aids, disse que ainda é cedo para saber se os homens conseguiram erradicar o HIV de seus organismos de vez ou se o vírus vai voltar.

“No entanto, esses exemplos sugerem que o que aconteceu com o Timothy Brown pode não ser um caso isolado”, diz Brady.

Ele afirma que o transplante de medula óssea é “um procedimento complexo, caro e cheio de riscos”.

“Para muitas pessoas com HIV é mais perigoso fazer um transplante do que continuar controlando o vírus com medicação diária”.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130703_transplantemedula_hiv_fl.shtml