Caxirola: Esperteza de Carlinhos Brown

Ilustração publicada na VEJA desta semana que termina: obra de Carlinhos Brown, o "designer" de nossa miséria intelectual

excertos da Publicação de Reinaldo Azevedo

Junte a granada com o soco-inglês. Depois acrescente doses generosas de folclorização do subdesenvolvimento disfarçada de Metafísica Afro-Americana Transcendental. Submeta o conjunto a uma empresa de marketing para ver no que é que dá. Eis que surge, então, a caxirola, um suposto instrumento supostamente inventado pela suposta genialidade de Carlinhos Brown. Ele patenteou o que não passa de uma variação do caxixi, aquele chocalho de palha que acompanha o berimbau. Privatizou o apetrecho dos “irmãos” e firmou um contrato com a multinacional The Marketing Store. Tudo para emprestar cor local à Copa do Mundo. A ideia era produzir 50 milhões de caxirolas, a R$ 29,90 cada. Isto mesmo: algo, assim, como R$ 1.490.000.000,00. Um bilhão, quatrocentos e noventa milhões de reais. Brown receberia uma porcentagem a título de colaboração intelectual. A Brasken forneceria o plástico. Não estudei o caso a fundo para saber como a criação de Brown se diluiria, depois, na natureza. Eu agora estou nesta: só defendo produtos e ideias biodegradáveis, hehe. Fico cá a imaginar se a ideia pega… Imaginem o mundo vendo aquele monte de brasileiros chacoalhando aquela coisa nos estádios: “Ai, que coisa bonita! Que gente feliz! Mais feliz do que o povo do Butão!” . Só que deu tudo errado.

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto em seguida.

O músico Carlinhos Brown sofreu uma nova decepção na quinta-feira: a caxirola está proibida em seu próprio estado. De acordo com anúncio feito pela Polícia Militar da Bahia, o instrumento oficial da Copa do Mundo de 2014 não poderá ser usado pelos torcedores que forem à Arena Fonte Nova para acompanhar a primeira partida da final do Campeonato Baiano de 2013, no fim de semana. Por motivo de segurança, o torcedor que tentar entrar com o objeto terá de deixar a caxirola na porta — caso contrário, perderá o duelo entre Bahia e Vitória. A caxirola foi incluída numa lista de objetos proibidos nos estádios baianos —- uma relação que já inclui bebidas alcoólicas, armas e objetos pontiagudos, entre outros.

 

Há duas semanas, durante outra edição do clássico local, também pela competição estadual, torcedores do Bahia protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. A decisão de vetar o chocalho de plástico na partida foi tomada em uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL), que estariam estudando banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.

 

Voltei

(…)

Os mais afoitos descobriram que aquelas argolas por onde passam os dedos também servem para potencializar a contundência da chamada “porrada”. Carlinhos Brown queria brincar de pós-Carmen Miranda e acabou criando um soco-inglês com sotaque português. E é bom não esquecer: tudo isso contou com apoio do governo. Vejam, no vídeo abaixo, Marta Suplicy, especialista em chocalho desde os tempos em que estudava no Colégio Des Oiseaux, e a presidente Dilma Rousseff, conhecida pelo samba no pé e pelo apego às tradições nativistas, comportando-se como uma búlgara da percussão. Chocalho é instrumento de percussão? Sei lá eu. Deve ser. Um dia ainda estudo, como tese de doutorado, “A Relação Entre Água Encanada, Verminoses e Vacinas e a Quantidade de Instrumentos de Percussão nas Sociedades Contemporâneas — Uma Hipótese Explicativa”. Vou defender lá na Unicamp, onde Aloizio Mercadante conseguiu o doutorado dele, fazendo a apologia da “economia caxirola” do governo Lula…

(…)

A “caxirola”, até pelo nome, e uma apropriação obviamente indevida do caxixi. Além da Bahia, em que outro estado isso quer dizer alguma coisa? Aliás, mesmo nesse estado, estamos falando de um traço cultural de uma parcela da sociedade apenas — e é da minoria extrema! Por que a “caxirola” deveria nos representar? Deixem-me ver… A Bahia concentra 7% da população brasileira. Dos poucos mais de 14 milhões de baianos, para quantos o berimbau e suas derivações teratológicas (como a de Brown) têm alguma importância? Imagino os meus amigos Weimar e Cremilda com a caxirola na mão… Por que a estrovenga inventada pelo músico haveria de ser um símbolo do Brasil se ela não diz absolutamente nada para, deixem-me ver, uns 98% dos brasileiros? E olhem que chuto baixo. Fora das áreas destinadas ao folclore local da Bahia, ninguém quer saber de berimbau… A viola caipira é muito mais paulista, por exemplo, do que o berimbau é baiano. Ou ainda: a música de origem sertaneja, com todas as suas derivações não menos teratológicas, representa muito mais os brasileiros — se o critério fosse a representação democrática — do que as parlapatices culturais de Carlinhos Brown.

O governo petista da Bahia acaba de proibir, em nome da segurança dos baianos (que remédio?), o “instrumento” lançado por Dilma Rousseff, com aquele ar sempre encantado que fazem os políticos diante do alegre, primaveril e suposto primitivismo do povo…

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Igreja evangélica recorre a lutas de MMA para arrebanhar novos fiéis

Templo da Renascer na Zona Leste de SP realizará (Realizou) 12 lutas nesta sexta.’É melhor perder um pouco de sangue do que a vida para as drogas’, diz bispo.

Lutador amador de MMA participa de sessão de pesagem em templo da Renascer na Zona Leste de São Paulo (Foto: Marcelo Mora/G1)

Parece estranho e para muitos até assusta, como admite bispo da própria Igreja Renascer. Colado na porta de vidro de um templo de igreja evangélica, um cartaz anuncia um campeonato de artes marciais mistas, conhecido pela sigla em inglês MMA e popularizado como uma espécie de vale-tudo.

O palco das 12 lutas, sendo 11 delas entre atletas amadores e apenas uma envolvendo profissionais, deixa de ser um local de culto e oração a partir das 22h desta sexta-feira (27). O templo da Renascer que receberá a competição fica na Vila Matilde, região da Penha, na Zona Leste de São Paulo.

Na noite desta quinta-feira (26), em uma sala nos fundos do templo, ocorreu a pesagem dos 24 lutadores, distribuídos em quatro categorias – até 62 kg, de 62kg até 70 kg, de 70 kg até 84 kg, e de 84 kg até 93 kg.

É preferível que um atleta perca um pouco de sangue no octógono  do que ele perder a vida para as drogas ou para a criminalidade”
George Ramos, bispo

A justificativa, no entanto, é mais do que imediata e direta: “é preferível que um atleta perca um pouco de sangue no octógono (como é chamado o ringue das lutas de MMA) do que ele perder a vida para as drogas ou para a criminalidade”, ressalta o bispo George Ramos.

O objetivo principal do quarto campeonato de lutas de MMA é justamente o de conseguir novos fiéis para a Igreja Renascer. Ao mesmo tempo, o de utilizar o esporte – qualquer que seja – como ferramenta para tirar os jovens do meio do tráfico. Por último, ajudar os lutadores, profissionais e amadores, a ganharem projeção no cenário desportivo.

A opção pelo MMA como instrumento para arrebanhar novos fiéis se deu pela sua crescente popularidade, principalmente entre os mais jovens, nos últimos anos. “Além disso, é um esporte mais fácil de viabilizar em um templo, por exemplo. Nós (da Renascer) já temos um nicho de realização de eventos, com os quais atraímos os jovens. Nós usamos esta estratégia para viabilizar a palavra de Deus”, afirmou Vagner Miguel, mais conhecido como presbítero Baby.

Com esta finalidade, a Renascer já havia criado há cerca de 15 anos o Ministério de Lutas, que promovia cursos de jiu-jitsu e muay thai, lutas marciais. Em 2008, teve início, não sem sustos, a promoção das lutas de MMA. “Como se trata de um esporte de contato, isso assusta muitas pessoas em outras igrejas. No começo, na nossa também assustou. Mas tudo o que fazemos aqui é com temor a Deus”, afirmou bispo Ramos, em preleção aos 24 lutadores, a maioria deles, curiosamente, de não evangélicos, antes de se iniciar a pesagem.

Apesar de as lutas serem autorizadas pela Federação Paulista de MMA, algumas regras, principalmente nas lutas entre atletas amadores, são alteradas para evitar contusões mais sérias nos combates – e, claro, minimizar os efeitos de golpes mais violentos. “É preciso lembrar que alguns aqui vão lutar e nem vão dormir, vão direto para o trabalho”, destacou o presbítero Baby.

Quando os dois lutadores estiverem no chão, não é permitido socar o rosto do adversário, por exemplo. De pé, não valerá nem cotovelada e nem cabeçada no adversário. E quando o oponente recorrer ao terceiro apoio – dois pés e mais o joelho, ou o os dois pés e uma mão no chão, por exemplo – é vetado dar joelhada na cabeça. Alguns golpes que possam causar lesão de joelho também não serão permitidos. Qualquer infração dentre as citadas acima é punida com a eliminação imediata, segundo os organizadores.

Se para os integrantes da Renascer não há qualquer contradição em aliar fé com lutas de MMA, aos lutadores, evangélicos ou não, quando dentro do octógono, interessa apenas a luta em si – e mais nada.

“Só entra ali quem está preparado. As outras coisas ficam de fora. Você pensar em superar o seu adversário. Não há contradição alguma nisso, pois é um evento para atrair fiéis para um caminho melhor”, defendeu o comerciante Felipe Gabriel, de 20 anos e frequentador da Renascer há seis anos. No cartel dele, 10 lutas de MMA, com sete vitórias.

“Não há nenhuma contradição (em ser evangélica e praticar MMA). Porque eu pratico um esporte. Eu penso como esportista, não quero agredir por agredir. Não pode querer ser valentão na rua. Por isso que é um esporte que tem juiz, que tem regras. É uma combinação que funciona: esporte e a palavra de Deus”, completou o professor de jiu-jitsu Aloísio Figueiredo, de 29 anos e frequentador da igreja pentecostal Brasa Viva.

Lutador profissional de MMA, Marcelo Matias, de 29 anos, será um dos protagonistas da noite ao fazer a luta de fundo, na disputa pelo cinturão do torneio. Matias, no entanto, não é evangélico. Ele admite conhecer mais de perto a igreja que promove o evento, mas a prioridade dele é outra: “Tenho interesse em conhecer, sim, mas quero mais visibilidade para lutar”, disse.

Para participar de torneios deste tipo, ele costuma receber uma bolsa – um prêmio em dinheiro. Já disputou torneios em Barueri, na Grande São Paulo, e em Sorocaba, no interior. Mas enquanto sonha um dia brilhar no UFC Matias dá duro no dia-a-dia como operador de empilhadeira. “Mas minha vida é o esporte. Pratico lutas marciais desde os 10 anos”, ressalta, diante de mais uma oportunidade de exibir a sua “arte”.

E quem buscar nas palavras da Bíblia argumentos para contestar a utilização das lutas de MMA com o objetivo de arrebanhar novos fiéis será surpreendido por um contragolpe à altura. “Um versículo da Biblía diz ‘Me fiz de louco para ganhar os loucos’. É sobre Davi, que ao se deparar com mais uma morte, começou a babar. Nós usamos justamente esta estratégia para viabilizar a palavra de Deus”, destacou o presbítero Baby. (Hein???)

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/07/igreja-evangelica-recorre-lutas-de-mma-para-arrebanhar-novos-fieis.html

Grécia expulsa atleta por comentário racista no Twitter

Voula Papachristou disputou, neste ano, o campeonato europeu de atletismo, na Finlândia (Foto: Matt Dunham/AP/Arquivo)

A atleta grega Voula Papachristou foi excluída da equipe olímpica de seu país, nesta quarta-feira (25), por publicar um comentário racista no Twitter, ato considerado “incompatível com os valores olímpicos” pelo Comitê Olímpico Grego.

A atleta do salto triplo, campeã nacional na modalidade, fez comentários dirigidos aos africanos, principalmente aos egípcios: “Com tantos africanos na Grécia, pelo menos os mosquitos do Nilo Ocidental comerão comida caseira!”.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, ela fez referência a um surto de vírus do Nilo Ocidental, doença potencialmente fatal transmitida por mosquitos de origem africana, em Atenas, capital grega, neste verão. 

Voula também retuitou uma frase de Ilias Kasidiaris, um político do Golden Dawn, partido com inclinações nazistas, criticando a política grega sobre imigração. 

Os comentários foram feitos no momento em que o país de Voula é amplamente afetado pela crise econômica e financeira, com aumento significativo de incidentes racistas e de intolerância.

A atleta quis se justificar nesta quarta-feira, dizendo que só “retuitou” uma mensagem postada anteriormente no site. “Não quis ofender ninguém. Respeito todos sem levar em conta a cor da pele. Não tenho qualquer relação com a política, só me interessa o atletismo”, disse ao site “Contra.gr”.

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/olimpiada2012/noticia/2012/07/grecia-expulsa-atleta-por-comentario-racista-no-twitter.html

Cachorro louco diz que “esporte é a salvação”

Allan Brito

O MMA sempre foi um esporte polêmico. Sangue, rostos inchados e braços quebrados costumam assustar qualquer um que veja as lutas sem estar acostumado. Há quem acuse o esporte de incitar a violência entre os jovens. E é por tudo isso que religiosos de Minas Gerais têm cogitado fazer um protesto contra o UFC 147, algo que irritou Wanderlei Silva, principal lutador do evento deste sábado.

“Tem que fazer protesto contra crack, não contra esporte. Não tem que fazer protesto nenhum contra o MMA. Nós vivemos disso, representamos uma massa e temos muitos fãs e admiradores. O esporte é a salvação”, disparou ele, exaltando o crescimento do MMA no Brasil: “o MMA está crescendo muito no Brasil. Aqui o pessoal sempre gostou de luta, mas não tinha muito acesso. A gente mostrou que por trás do lutador tem um pai, um filho. São pessoas que correm atrás do sonho como todo brasileiro”, argumentou.

Wanderlei Silva já enfrentou uma situação bastante semelhante com a que vive no momento. Em junho de 2009, aconteceu o primeiro UFC na Alemanha, no qual ele enfrentou exatamente Rich Franklin. Revoltados com a chegada do evento no país, religiosos alemães protestaram contra a violência do MMA. Quem lembrou disso foi Marshall Zelaznik, diretor de Desenvolvimento Internacional, presente na entrevista do UFC 147 nesta quinta-feira.

“Já tivemos que enfrentar protestos. O Wanderlei estava lá na Alemanha. São coisas para quais nós estamos preparados. Não temos que discutir com ninguém e não teremos problemas no Brasil, um país que tem tradição no MMA”, afirmou, ressaltando que a segurança do UFC tomará os cuidados necessários para que os protestos não atrapalhem as lutas.

Quem também entrou na discussão foi Maurício Shogun, outro a reclamar dos protestos: “as pessoas acham que o MMA é uma coisa absurda, mas é só um esporte de contato. Eu jogando futebol me machuco mais do que no MMA, que é igual ao hóquei, ao futebol americano. É um esporte de contato”, defendeu ele, em outra entrevista concendida em Belo Horizonte, nesta quinta. Apesar de não lutar no UFC 147, ele está na capital mineira e vai participar de um evento antes da pesagem desta sexta.

Shogun acredita que só há uma maneira de diminuir as reclamações de quem não gosta do MMA: “quanto mais as pessoas acompanharem, mais elas vão tirar essa impressão”. Portanto, no que depender dos religiosos de Minas Gerais, é bem provável que as críticas contra as artes marciais mistas nunca diminuam. “Sempre vai ter esses protestos. Mas agora é nossa onda”, comemorou Shogun.

http://esportes.terra.com.br/lutas/noticias/0,,OI5852328-EI15532,00-W+Silva+reclama+de+protesto+de+religiosos+esporte+e+a+salvacao.html