Os herdeiros de Caramuru

Percival Puggina

“Agora tem o Brasil das mulheres e o Brasil dos homens até nos discursos das autoridades, o Brasil dos negros, o Brasil dos brancos e o Brasil dos pardos, o Brasil dos héteros e o Brasil dos gays, o Brasil dos evangélicos e o Brasil dos católicos, Brasil com bolsa família e Brasil sem bolsa família e nem sei mais quantas categorias, tudo dividido direitinho e entremeado de animosidades, todo mundo agora dispõe de várias categorias para odiar! A depender do caso, o sujeito está mais para uma delas do que para essa conversa de Brasil, esquece esse negócio de Brasil, não tem mais nada disso!” João Ubaldo Ribeiro

O fato é que Cabral não tocou direto para as Índias. Tivesse seguido o riscado, o Brasil de hoje seria o paraíso tropical com que sonham alguns ambientalistas, antropólogos e militantes de qualquer tese que possa gerar encrenca. Os índios do mato continuariam disputando território a flechadas com os do litoral, que índio também gosta de praia, e os portugueses, sem quaisquer remorsos, comeriam seu bacalhau no Campo dos Cebolas. Mas os navegadores lusitanos (assim como os espanhóis) eram abelhudos e iniciaram seu turismo pelos sete mares. Os primeiros descobriram o Brasil e os segundos descobriram tudo ao redor do Brasil.

Bem feito, quem mandou? Agora temos que conviver com leituras da história que nos levaram à situação descrita por João Ubaldo Ribeiro. Segundo elas, até o século 15, o zoneamento era perfeito – brancos na Europa, negros na África, índios na América e amarelos na Ásia. Cada macaco no seu galho. No entanto, graças à bisbilhotice ibérica, estamos nós, herdeiros de Caramuru, com contas imensas a pagar porque os justiceiros da história adoram acertos e indenizações promovidos com os bens alheios. Entre elas, a conta dos índios. Como é fácil fazer justiça expropriando os outros!

O princípio segundo o qual o Brasil era dos índios e deles foi tomado pelos portugueses ganhou sensível impulso com os preceitos do artigo 231 da Constituição de 1988. Mas se o princípio estivesse correto e se quaisquer direitos originais de posse pudessem ser invocados, não sei se alguém, no mundo de hoje, ficaria onde está. Não me refiro sequer aos primeiros fluxos migratórios através dos milênios. Refiro-me às mais recentes e incontáveis invasões e guerras de conquista que marcam a história dos povos. E note-se que as guerras de conquista não geravam indenizações aos vencidos, mas espólios aos vencedores.

Faço estas observações diante do que está em curso em nosso país com os processos de demarcação de terras indígenas. É o próprio Estado brasileiro, através de suas agências, reclamando por extensões mais do que latifundiárias e jogando nas estradas e na miséria legiões de produtores e suas famílias. É o braço do Estado gerando novas hostilidades no ambiente rural do país (como se já não bastassem as estripulias do MST). Índios e não índios merecem ser tratados com igual dignidade. Mas não se pode fazer justiça criando injustiça, nem se pode cuidar do país entregando o país. Não existem outras “nações” dentro da nação brasileira. E é exatamente isso que está em curso, sob pressão de uma difusa mas ativa conspiração internacional, conjugada com o CIMI e a FUNAI, que quer o Brasil e os brasileiros longe da Amazônia, por exemplo.

Índio não é bicho para ser preservado na idade da pedra lascada, como cobaia de antropólogos, num profundo desrespeito ao natural processo evolutivo. Ou armazenado, como garrafa de vinho, numerado e rotulado, com designação de origem controlada.

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Marina Silva: Um Instrumento da Nova Ordem Mundial

                                 n/d

 Leonildo Trombela Júnior 

Ela foi cabocla no seringal do estado do Acre e hoje é a queridinha dos globalistas (aqueles cuja crença é de que a Velha Ordem que preza pela soberania das nações é um modelo ultrapassado que deve ser substituído por um governo global supranacional). Ela é membro do Inter-american Dialogue, think-thank que conta com um grupo de ex-presidentes das três Américas, além de banqueiros, empresários e outros integrantes da nata social e financeira deste continente. Também faz parte da lista dos Defensores das Metas do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas) – lista essa que também inclui o bilionário empresário Ted Turner, o famoso fundador da CNN. Recebeu também o prêmio “Champions of the Earth” da ONU – um dos maiores prêmios da área. É chamada de “lendária ativista ambiental” pelos ativistas da iniciativa Carta da Terra (1) e por aí vai…

A apresentação de uma fração do currículo internacional de Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima é para que não nos enganemos. Embora tenha a saúde frágil por conta de uma contaminação por mercúrio na juventude, essa senhora evangélica de 55 anos e aparência frágil possui uma vasta influência entre bilionários e ecologistas mundo afora. Em 2010 emplacou uma candidatura à Presidência da República concorrendo pelo Partido Verde com seu vice sendo o empresário bilionário Guilherme Leal. Obteve quase 20 milhões de votos.

Marina é sem dúvida benquista por vários grupos ambientalistas e globalistas. Para Luis Dufaur, autor de publicações no exterior e do blog “Verde: a cor nova do comunismo” – que denuncia os estratagemas dos movimentos ambientalistas e globalistas -, as origens amazônicas de Marina, sua militância no Partido Revolucionário Comunista (PRC – ala radical que estava sob a égide petista no Acre) e sua luta junto de Chico Mendes e das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) são “atributos” que fazem dela o perfil ideal para ser a imagem “popular” que os ambientalistas e globalistas pretendem projetar.
“Ela encarna bem o figurino imaginado pela Teologia da Libertação que segue a linha de Frei Beto e Dom Casaldáliga, portanto comuno-tribalista e ambientalista. Quer dizer, uma mulher do povo que sofreu pobreza e doenças tropicais, e sai da floresta para contestar a ordem social brasileira acusada de ‘capitalista’ e ‘exploradora’. Esta imagem a meu ver inclui muitos exageros propagandísticos imaginados por marqueteiros”, diz Dufaur.
Aproveitando-se dessa grande influência e poder que lhe foi concedido, Marina Silva já aplaina o terreno para a candidatura em 2014. Com seu novo partido, o “REDE Sustentabilidade”, ela quer, segundo palavras próprias, nada menos que “mudar a cultura política do país”. Marina diz que seu partido não é de esquerda e nem de direita, mas é “à frente”. Além do apoio de Leal, Marina também conta com Maria Alice Setúbal, uma das herdeiras do Itaú.

Mas será que Marina realmente vem com uma proposta diferente? Segundo o economista e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), Nivaldo Cordeiro, “Estamos diante de uma ação típica das esquerdas recomendadas por Lênin. […] a famosa estratégia das tesouras”.
Essa estratégia das tesouras é uma forma de se referir à metodologia dialética marxista-leninista, cuja metáfora da tesoura fala das duas lâminas que são opostas (como neste caso, a aparente oposição de Marina Silva ao atual establishment político), mas que no final das contas fazem parte do mesmo corpo; e sendo do mesmo corpo, quando essas duas lâminas convergirem — isso acontece fatalmente na política —, deceparão aqueles que estiverem no caminho delas. O termo foi muito usado para se referir à aparente oposição que existe há muito entre os governos russo e chinês (desde os tempos comunistas até hoje).

O filósofo Olavo de Carvalho no artigo “A mão de Stálin está sobre nós” diz que, através da estratégia das tesouras, “a oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.” (isso já acontece no Brasil, onde partidos como PT, PSDB, PSB e o futuro partido da Marina dominam completamente as ações políticas, deixando espaço apenas para divergências dentro da própria esquerda ou para partidos governistas como o PMDB).
Outro bom exemplo dessa estratégia das tesouras leninista são as denúncias feitas pelos partidos de extrema esquerda, como se pode ver no site do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), que por meio de uma extensa matéria mostra alguns dos “esqueletos” que Marina tem no armário (ver matéria no link: pstu.org.br/conteudo/rede-de-marina-silva).

O site do Partido Comunista do Brasil (PC do B) também não se esquiva de reproduzir ou redigir textos com fortes críticas ao projeto de Marina Silva, como se pode ver nos links: vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206125&id_secao=1 e vermelho.org.br/editorial.php?id_editorial=1170&id_secao=16.
Apesar das ferrenhas críticas recebidas pela “esquerda da esquerda”, sempre quando indagada sobre os presidentes Lula ou Dilma, aliados do mesmo PC do B, Marina prefere adotar um tom amistoso, demonstrando discordâncias apenas em pontos específicos, como é o caso da política ambiental. Segundo Nivaldo Cordeiro, “a turma da Marina Silva sempre foi PT de coração”. A longa lista de serviços que Marina prestou ao PT desde quando era uma jovem militante no PRC até chegar ao Ministério do Meio Ambiente – cargo que ocupou desde a posse de Lula, em 2003, até 2008 – é algo que ela faz questão de lembrar sempre em suas entrevistas.
Desenvolvimento sustentável e religião

O termo “desenvolvimento sustentável” surgiu pela primeira vez nas discussões da ONU na década de 1980. Ele foi cunhado para condensar um ideal que já havia sido exposto desde a Conferência de Estocolmo em 1972. Junta – a seu modo – as idéias de desenvolvimento econômico e político com a preservação da natureza, com a justificativa de que devemos deixar um “mundo melhor” para as gerações futuras. Deste modo, esse ideal acaba por atuar nas frentes econômica, política, ecológica e cultural. As partes ética e religiosa restantes são cobertas pela anteriormente citada Carta da Terra, que segundo um de seus maiores promotores, Mikhail Gorbachev, aspira a ser nada menos que uma nova versão dos Dez Mandamentos (2).
A culminação do que entendemos por “desenvolvimento sustentável” foi o documento “Agenda 21”, apresentado na Conferência Eco-92, no Rio de Janeiro. Esse documento contém 21 diretrizes elaboradas pela ONU para servirem de “instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis” (ver neste link: http://sustainabledevelopment.un.org/).

A idéia de desenvolvimento sustentável é, basicamente, aplicar leis supranacionais cujo conteúdo é aquilo que a ONU acha que é melhor para o mundo, independentemente do que as populações locais venham a achar. Aqui no Brasil, muito desses ideais supranacionais da “Agenda 21” (que, por conseguinte, são óbvias afrontas à soberania de um país) foram bem encaminhados na gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente.
Mesmo quando não são diretamente aplicadas, essas medidas supranacionais acabam por ter grande influência na legislação, como foi o caso do Código Florestal aprovado em 2012, que levou em conta várias “propostas utópicas e quiméricas da ONU”, nas palavras de Luis Dufaur. Segundo Dufaur, esses documentos “sinalizam os rumos das transformações legais presentes e futuras que o PT e seus amigos ambientalistas promovem no país”.

Notas:
(1) A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais cujo intuito é “construir uma sociedade global justa e sustentável para o século XXI”; para isso basta que se dê poder ilimitado a eles.  Tem o endosso de gente do quilate do ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev e da ex-Rainha e atual Princesa Beatrix da Holanda.

(2) v. Lee Penn. False Dawn: The United Religions Initiative, globalism, and the quest for a one-world religion. p.16
Publicado no site da revista Vila Nova.
Leonildo Trombela Júnior é jornalista e tradutor.
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/14268-marina-silva-e-o-rede-sustentabilidade-um-projeto-supranacional.html

http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/13885/Marina-Silva-Um-Instrumento-da-Nova-Ordem-Mundial

Dos Protestos e da História

Prof Carlos Ramalhete

 

Contexto histórico

 Estes protestos não surgem num vácuo; ao contrário, eles são parte integrante de uma onda de protestos que vêm varrendo todas as partes do planeta que foram dominadas, mais ou menos profundamente, pela dita “Civilização das Luzes”, ou “Modernidade”, uma forma de pensamento político antinatural que teve seu início prático há pouco mais de duzentos anos e agora chega a seu fim.

Resumindo muito, poderíamos dizer que a Modernidade é uma forma de absolutismo em que se considera que todo poder vem de um centro político. Em sua forma monárquica absolutista, era possível a um rei dizer “o Estado sou eu”. Cortando-se-lhe a cabeça, torna-se possível a um político dizer “todo o poder será exercido por mim em nome do Povo”. O significado prático de ambas as afirmações é o mesmo: o governante se percebe como o detentor de todo o poder, como a fonte do poder dos pais sobre os filhos (daí a facilidade do Estado moderno em tirar de alguém a “guarda” dos próprios filhos, por exemplo), dos professores sobre os alunos, dos empresários sobre seus funcionários, etc.

Esta forma de absolutismo, para sua implantação perfeita, demanda necessariamente que enorme parcela da população seja afastada por algum meio; o meio mais tradicional, empregado na França revolucionária, no nazi-fascismo, no comunismo e na expansão americana, foi o genocídio (respectivamente da nobreza, dos judeus, da burguesia e da população nativa e mexicana). A forma mitigada deste afastamento, empregada nos países de Modernidade do tipo capitalista, é o encarceramento maciço do lumpesinato urbano.

Tendo surgido na Europa, a penetração mais profunda desta ilusão antinatural sobre o funcionamento da sociedade ocorreu lá. No século passado, tivemos o auge da Modernidade, em que se digladiaram em território europeu suas formas mais puras, a fascista e a comunista.

Da Europa, contudo, esta ilusão antinatural espalhou-se pelo mundo. Os Estados Unidos da América – nas palavras de Chesterton, que cito de memória, “o único país erigido sobre uma ideia, não uma nacionalidade” – a Modernidade ganhou uma outra forma, talvez ainda mais pura por não ter sido construída sobre as ruínas da ordem social anterior, sim sobre a tábula rasa obtida com o genocídio da população nativa e – quando da invasão do norte do México, criando o atual sudoeste americano – católica mexicana.

Em outros lugares, contudo, incluindo o Brasil, a Modernidade não penetrou tão profundamente. Foi criada, sim, uma crosta superficial de Modernidade, com, por exemplo, uma legislação que tem a impessoalidade como valor, mantendo sempre, contudo, a população sua forma personalista e não Moderna de lidar com a realidade. Temos, assim, um Estado que se pretende Moderno, mas é uma Modernidade “pra inglês ver”. O mesmo político que se diz paladino da impessoalidade administrativa emprega toda a família; o mesmo cidadão de classe média que reclama da “corrupção” do político tenta – e frequentemente consegue – ser tratado de forma diferenciada pelo guarda de trânsito, pelo apelo a autoridade de amigos ou pela gorjeta.

Outro país em que a Modernidade não passa de uma crosta superficial é a Turquia, em que Attatürk tentou criar um país moderno à força no século passado, com sucesso apenas parcial.

É interessante perceber a semelhança, em muitos aspectos, da forma de eclosão dos protestos turcos e brasileiros, com um tema inicial irrelevante (um aumento de passagem de ônibus urbano aqui e a derrubada de algumas árvores para a construção de um centro comercial lá) servindo para desencadear uma onda de protestos absolutamente desproporcional à suposta causa. Em ambos os casos, o que se teve foi simplesmente – como observei no texto de minha coluna já citada – a eclosão abrupta de um sentimento de exasperação coletiva.

Nos países em que a Modernidade foi introjetada pela população, em que o modo de pensar da população é já completamente Moderno, contudo, os protestos tiveram outras formas. Nos EUA, ao niilismo das “ocupações” de Wall Street e outros lugares somou-se o romantismo individualista do Tea Party: formas modernas, ambas, de expressão de uma exasperação coletiva vaga demais para ser compreendida, mormente quando só se pensa em categorias modernas.

Da Europa, onde é mais profunda a percepção da participação política como ato coletivo, poderíamos citar as imensas manifestações com mais de um milhão de participantes da “Manif Pour Tous” francesa, que se levantou contra a imposição legal do “casamento gay”.

 O espírito do tempo

 Qual é o ponto comum de todas estas manifestações multitudinárias, de todos estes levantes, ocorrendo onde ocorreu a Modernidade? Qual é o “espírito do tempo”, o zeitgeist que as perpassa?

Por incrível que pareça, uma das afirmações mais próximas dele foi feita, no Brasil, pelo Senador Cristovam Buarque, mais conhecido por seu costumeiro utopismo tão delirante quanto bem intencionado. Propôs o Senador a extinção de todos os partidos políticos (o que, aliás, venho propondo há anos, por ser o eleitor brasileiro personalista).

Esta extinção, por sua vez, poderia ser expressa de outra maneira, na busca de uma definição essencial deste zeitgeist, no afã de isolar mais precisamente o ponto histórico em que estamos. Poderíamos apontar não mais para a frase do Senador, mas para o bordão que encontramos não só nas manifestações multitudinárias, mas em manifestações políticas individuais há já alguns meses: “não me representa”.

As manifestações coletivas são a soma de centenas de milhares de manifestações individuais de exasperação com a noção moderna e antinatural de centralização do poder. Daí o repúdio aos partidos políticos (que pretendem “representar” – ou seja, tomar para si o poder de – a população), aos homens e mulheres políticos, aos “líderes” autodenominados, etc.

Os atores políticos ligados às instituições soçobrantes, evidentemente, estão em pânico. O Movimento Passe Livre, grupelho de extrema-esquerda caricata que prega a estatização (leia-se “hipercentralização Moderna”) dos transportes públicos e que inadvertidamente serviu de estopim para os protestos, está pulando para cima e para baixo como uma criança mimada em busca de atenção. Os articulistas ligados às instituições estagnadas sob ataque tentam, no seu limitadíssimo horizonte conceitual, atribuir a um “fascismo” e a uma “extrema-direita” – mais assemelhados à proverbial cabeça de bacalhau que a um ator político real, na cena brasileira – a demanda multitudinária e ao mesmo tempo pessoal de devolução do poder ao indivíduo, expressa na frase “não me representa”.

Alguns chegam a incentivar vandalismos, talvez como forma de buscar um aumento da desordem que possa permita uma tentativa de implantação de um governo ditatorial (ou seja, hipermoderno). Em suma, querem voltar ao século passado. Estão no Titanic que afunda, bradando seus privilégios de ocupantes da primeira classe.

O momento histórico, contudo, não lhes é em nada propício. A tendência é a progressiva irrelevância das instituições excessivamente centralizadoras, com o crescimento das instituições naturais de autoridade (associações de bairro, grupos de ação político-cívica, etc.). Como em todo fim de sistema politico-civilizacional, a reação consiste em tentar mais do mesmo; podemos, por isto, esperar que se faça passar legislação mais centralizadora, etc. Isto, contudo, não tem como ter efeito real; esta legislação tende a ser ignorado, tanto mais quanto mais distante da realidade da população ela for. Trataremos disto com mais vagar mais abaixo neste mesmo texto.

 Os atores

 O principal ator político do momento é o jovem de classe média tradicional, fruto de uma educação ineficiente dominada pelo marxismo, somada a hábitos de consumo de massa do capitalismo tardio (desde seriados americanos como forma de “cultura” até o consumismo em senso mais estrito, com roupas e celulares de grife), com tudo isso servindo de cobertura para um bolo cuja massa é da mais pura cultura patriarcal tradicional, que o faz – apesar de seus apelos à modernidade – não pensar duas vezes antes de demandar privilégios de estamento (“você sabe com quem está falando?”, etc.). Ele compõe o grosso das manifestações e dá vazão verbal ao zeitgeist que, no entanto, anima também a outros atores. Por mais que a Globo tente esconder este fato, a composição socioeconômica e cultural das manifestações as torna muito próximas das Marchas da Família com Deus pela Liberdade de 1964.

Como ator secundário, já tradicional no casting brasileiro, a população de classe média baixa. Devido à inserção de enorme quantidade de jovens oriundos deste estamento no antes limitado quadro dos portadores de símbolos de pertença à classe média tradicional (principalmente carro, faculdade e eletrodomésticos), surgiu em cena uma força conservadora, insegura de sua pertença à classe privilegiada mas apegada a valores tradicionais e percebendo-se como em ascensão social por mérito próprio. Estes somam-se às manifestações de maneira mais tímida, por não terem tido aulas tão eficientes quanto as da classe média tradicional de “como é glorioso manifestar-se contra o poder” no ensino fundamental e médio. Também estão imbuídos deste zeitgeist anticentralizador, talvez até em dose maior que seus congêneres da classe média tradicional, devido à possibilidade de somar a participação política direta ao rol de símbolos de pertença à classe média que já ostentam.

Finalmente, a voz do atraso: os grupelhos (ou, se preferirem a linguagem deles, os “coletivos”) perdidos em algum momento entre o século retrasado e o século passado, ainda repletos de fantasias de construir no Brasil o que jamais conseguiram construir alhures, mesmo tendo matado cem milhões de pessoas na tentativa. Os militantes das formas exacerbadas de Modernidade (praticamente todos comunistas; há em São Paulo uma presença minúscula e caricata de militantes de um pseudo-fascismo tupiniquim, que não se sustenta ideologicamente, e só. São fascistas de butique, como há punks de butique) estão desesperados ao ver escorrer entre os dedos o que parecia tão próximo do sucesso, com a tomada dos governos (logo do poder, na visão simplista da maioria, ainda que alguns – como Freibetto – tenham discernido não ser o caso) pelo Foro de São Paulo.

Estes lutam ingloriamente contra o zeitgeist, tentando ou bem “domar” as manifestações, fazendo delas os costumeiros poleiros para políticos, adornando-as de bandeiras vermelhas e promessas vazias, ou bem transformá-las em desordem social aberta, através de atos de vandalismo que possam fazer com que se justifique uma (na visão deles) possível radicalização da autoridade centralizadora governamental, implantando à força uma ditadura comunista.

Como a mídia está umbilicalmente ligada ao governo, por ser dependente de anúncios milionários e estar povoada por jornalistas militantes destas formas exacerbadas de Modernidade, são apenas estes que têm voz nela; para a mídia, é imprescindível tentar reduzir a demanda das manifestações a qualquer coisa diferente de uma negação da centralização autoritária Moderna: daí a ênfase em besteiras irrelevantes, que levam a bola de volta ao campo da política tradicional, como se tudo isso fosse devido a passagens de ônibus, PECs e outras “demandas”.

Conspicuamente ausentes estão os conservadores, talvez por medo do desconhecido, talvez pelas infelizes declarações de alguns maîtres-à-penser, que não conseguiram ver além do quebra-quebra que está sendo incentivado pela extrema-esquerda numa tentativa frustra de esvaziar o momento histórico.

Nos lugares em que professores e outros intelectuais anticomunistas procuraram agir no sentido de influenciar as manifestações, a extrema-esquerda foi prontamente alijada dos protestos. Os lugares em que isto não ocorreu, o processo de “conservadorização” é mais lento, ainda que inexorável devido tanto ao fato de a maioria da população ser conservadora quando à incoerência entre o zeitgeist que as anima e as ideologias centralizadoras Modernas.

 Para onde isto tudo vai?

 A hipótese mais assustadora, usada como bicho-papão por alguns líderes para afastar os jovens engajados das manifestação, seria uma ditadura comunista. Isto é simplesmente impossível. Para implantar uma ditadura totalitária (ao contrário de uma ditadura meramente autoritária), como forçosamente uma ditadura comunista deve ser, é necessária a existência de uma massa crítica de aderentes ideológicos suficientemente grande para que se os possa uniformizar e armar para controle da população. Isto, no Brasil, é simplesmente impossível devido aos mecanismos culturais de sobrevivência brasileiros, que levam a um apoio “pra inglês ver” sem compromisso real. Em outras palavras, não há gente suficiente para fazer uma KGB ou Gestapo aqui, graças a Deus. O Brasil não é uma ilhota ao largo de Miami, da qual pudesse fugir a parcela da população que se faria necessário assassinar para ter sucesso numa revolução. Sem ter para onde ou como expulsar os indesejáveis e sem ter como levantar forças bastantes para mata-los, não há como fazer uma ditadura totalitária.

A segunda hipótese mais assustadora é uma ditadura autoritária de cunho populista, talvez alçada ao poder com participação das Forças Armadas. Há alguns candidatos a montar neste cavalo branco, do próprio Lula a Joaquim Barbosa, passando por outros menos votados, como Bolsonaro. Esta é uma hipótese real, não mais nem menos provável que as duas seguintes; o fiel da balança, devido à ausência conspícua de conservadores dispostos a agir dentro das manifestações, acaba sendo a capacidade destrutiva dos vândalos de extrema-esquerda e seus idiotas úteis niilistas.

A terceira alternativa seria a manutenção de Dilma na Presidência com apoio militar, fazendo dela, na prática, refém das Forças Armadas e desviando o projeto de poder da extrema-esquerda para o igualmente centralizador projeto tecnocrático dos militares. Na melhor das hipóteses, isto levaria a um cenário interessantíssimo na próxima eleição presidencial.

A quarta alternativa seria a tomada do poder pelos militares, que provavelmente levaria à antecipação das eleições presidenciais – ou talvez de todas as eleições, forçando uma recomposição do quadro político brasileiro – para evitar que as Forças Armadas se tornem alvo da continuação dos protestos. Afinal, a “educação” formal da juventude que ora protesta sempre demonizou as Forças Armadas.

 Em todo caso, cumpre lembrar que a cultura brasileira tem mecanismos de resolução de conflito ímpares. Basta perceber a diferença entre o ocorrido nos demais países latino-americanos e o ocorrido aqui nas proxy wars entre EUA e URSS dos anos sessenta e setenta: enquanto os países de nosso entorno, com populações comparativamente ínfimas, tiveram genocídios chegando às centenas de milhares de pessoas, o Brasil – com uma evolução do quadro político em tudo semelhante, dos anos sessenta até os dias atuais – não chegou a quinhentas vítimas de ambos os lados. Podemos e devemos contar com estes mecanismos, com a “turma do deixa disso”, com resoluções mais pacíficas que o que se poderia esperar da virulência das opiniões em curso.

O que há de acontecer ao longo das próximas décadas, contudo, é uma diminuição desta centralização excessiva, desta forma antinatural de percepção e ação do poder trazida pela Modernidade. Em termos práticos, isto significa que grande parcela do poder voltará a seus donos legítimos, com um aumento no protagonismo político-cívico das instâncias inferiores e uma diminuição proporcional da importância dos partidos ideológicos (que, se perdurarem, será na forma de fósseis comunistas inócuos ou – como já temos – gangues de venda e redistribuição de poder patrimonialista).

A ação cívica recomendável e afinada com o momento histórica, a meu ver, é assim a ação de organização destes protagonismos político-cívicos: associações de moradores, de atletas, etc. Se não há esgoto, que se faça um mutirão para construí-lo ao invés de pedir a um político. O poder não é dele, mas da população. Deve-se buscar a irrelevância cada vez maior das instâncias políticas mais afastadas da população, fazendo com que a associação de moradores tenha mais poder que o prefeito, que tenha mais poder que o governador, que tenha mais poder que o presidente. Assim é a ordem natural, assim sempre foram as coisas até a Modernidade chegar e inverter tudo de forma antinatural, levando, em seu auge, aos horrendos genocídios do século passado.

Em suma: acabaram os cheques em branco para políticos. Devemos agir, não pedir, fazer, não eleger.

E que Deus ajude o Brasil.

https://www.facebook.com/notes/carlos-ramalhete/dos-protestos-e-da-história/488087031268909

Americano guarda hambúrguer da McDonald´s por 14 anos

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Administradores

David Whipple, morador da cidade de Utah, nos Estados Unidos afirmou que guardou um hambúrguer da McDonald’s por 14 anos em casa e ele continuou praticamente intacto.

O americano foi ao programa de televisão The Doctorspara falar sobre seu experimento. Ele conta que comprou o sanduíche para guardar durante duas semanas e mostrar aos seus amigos. E então ele simplesmente esqueceu.

Dois anos depois, ele encontrou o alimento junto à nota fiscal em um armário. Apesar do tempo, não existia nenhum sinal de podridão ou mofo. Foi então que ele decidiu guardar o sanduíche até que ele se desintegrasse.

Entretanto, mais de uma década depois, o lanche continua o mesmo. Apenas os picles desapareceram. No programa, Whiple contou que utiliza a experiência para incentivar seus netos a se alimentarem melhor.

Em seu site, a McDonald’s explicou que o fenômeno acontece devido ao processo de fabricação dos sanduíches que os tornam muito secos após serem cozidos e tostados. Segundo a cadeia de alimentos, o hambúrguer perde água na forma de vapor durante o processo de cozimento e o pão é tostado, ficando muito seco. Assim, na ausência de umidade ou alta umidade, o sanduíche simplesmente resseca, ao invés de apodrecer.

http://www.pavablog.com/

Argentina denuncia presença de armamento nuclear nas Malvinas perante a ONU

25.02.2013 –  A Argentina acusou nesta segunda-feira o Reino Unido de transportar, em submarinos, armamento nuclear às Ilhas Malvinas e violar, assim, os tratados internacionais que estabelecem que esta zona deveria estar desnuclearizada.

“Nos encontramos em uma etapa precária de implementação do tratado de Tlatelolco, que proíbe completamente o armamento nuclear na América Latina e no Caribe. Esta precária implementação é desafiada pelo Reino Unido”, manifestou o secretário de Relações Exteriores da Argentina perante a Conferência de Desarmamento da ONU, Eduardo Zuain.

Além disso, Zuain responsabilizou o Reino Unido de uma injustificada e desproporcional presença militar no Atlântico Sul, “que inclui deslocamentos de submarinos com capacidade de levar armamento nucleares na zona desnuclearizada”.

O Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe – conhecido como Tratado de Tlatelolco – é um acordo internacional que estabelece a desnuclearização do território da América Latina e do Caribe e que entrou em vigência em 25 de abril de 1969.

“A República Argentina está especialmente preocupada pela possibilidade, confirmada pela primeira vez pelo Governo britânico em 2003, que este estado estivesse introduzindo armamento nuclear no Atlântico Sul”, assinalou Zuain, que acrescentou que o Governo argentino lamenta profundamente que o Reino Unido tenha ignorado as denúncias formuladas sobre esta situação.

Além disso, Zuain criticou o fato de que as Malvinas esteja entre os territórios mais militarizados do mundo, com mais de 1.500 soldados britânicos e uma população civil de 3 mil.

“Tal desdobramento inclui a presença de um poderoso grupo naval, aviões de combate de última geração, um importante centro de comando e controle, e uma base de inteligência eletrônica que permite ‘monitorar’ o tráfego aéreo e naval da região”, acrescentou.

Zuain disse que a grande presença britânica em áreas disputadas do Atlântico Sul preocupa não somente a Argentina, “mas também os países da região e fora dela, como demonstram pronunciamentos da Cúpula Ibero-Americana, a União de Nações Americanas (Unasul), o Mercosul, o Grupo Rio e a Cúpula de Países da América do Sul e Países Árabes (ASPA)”.

Argentina pediu à Conferência de Desarmamento, que começou nesta segunda em Genebra uma nova sessão e que se prolongará até o próximo dia 1 de março, que supere a estagnação à qual está submetida há 15 anos para que possam avançar em diferentes temas, entre eles, o reivindicado por Buenos Aires.

Fonte: Terra noticias